Ferramenta online para a realização de coaching vale a pena?

Prometendo desenvolver competências e impulsionar o crescimento profissional dos colaboradores nas empresas, o coaching popularizou-se nos últimos anos. Ao se tornar uma espécie de moda nas estratégias das equipes de recursos humanos, o processo de aprendizagem ganhou também várias formas, indo além da relação individual de aconselhamento.

GUSTAVO COLTRI, /COLABOROU MÁRCIA RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2012 | 03h09

Disponível em uma plataforma online, o e-coaching é, por exemplo, a aposta da empresa Your Life. "Ele tem o conceito e metodologia do coaching tradicional, mas não é totalmente presencial. É uma mescla de atividades", explica o CEO da Your Life do Brasil, Rubens Gurevich.

Cobrador. A grande vantagem do instrumento, segundo ele, é a possibilidade de gerenciar os planos de ação para cada trabalhador. "O grande problema do RH é exatamente fazer isso. O sistema é, na verdade, um grande cobrador", afirma ele.

O ciclo básico do e-coaching dura seis meses e, nesse período, o programa pretende desenvolver duas competências. O primeiro passo envolve uma avaliação do perfil comportamental do participante.

Feito o levantamento das características do usuário, a plataforma desenvolve um plano de ação que inclui exercícios online. "Se uma pessoa identifica que precisa aprender a dizer não sem se sentir culpada, o sistema monta um plano para que ela desenvolva essa competência", exemplifica.

O desempenho dos usuários nas atividades é reunido em indicadores que ficam à disposição de uma rede avaliadora - conjunto de pessoas que envolve gestores, profissionais de recursos humanos e colaboradores.

"A grande diferença do e-coaching para o coaching tradicional são os múltiplos avaliadores." O programa tem ainda três encontros presencias em grupo para o direcionamento das metas a atingir.

Outra vantagem, segundo Gurevich, é a possibilidade de aplicação do programa a grupos de funcionários, tornando o investimento mais barato para as empresas. Os pacotes do Your Life variam de R$ 400 a R$ 1 mil por pessoa em um semestre de serviços. Dez sessões do coaching presencial variam de R$ 5 mil a R$ 15 mil, de acordo com o CEO da companhia.

Na prática. Desde agosto de 2010, a diretoria regional dos Correios em São Paulo adota a ferramenta e, de acordo com a psicóloga responsável, Maria Ercilia Mota Lima, a companhia tem a "expectativa de que cada participante construa seu próprio plano de desenvolvimento, sinta-se responsável por ele, e encontre nos feedbacks recebidos um caminho para seu aperfeiçoamento profissional".

Maria Ercilia considera a utilização das ferramentas tecnológicas uma solução prática para a empresa, na medida em que os usuários permanecem nos postos de trabalho, recebem retornos, constroem planos pessoais de desenvolvimento e são monitorados. "E tudo isto é feito online", justifica.

Na opinião do presidente da Sociedade Brasileira de Coaching (SBC), Villela da Matta, as plataformas não presenciais são importantes instrumentos para o desenvolvimento de competências, mas não substituem o coaching tradicional, que envolve atendimento personalizado, face a face.

Nesse sentido, a SBC adota a plataforma Cornerstone OnDemand apenas como apoio. "Até um determinado passo, que é o de determinar competência, atividades e metas e fazer follow up (acompanhamento), ela é ótima. É um apoio inicial, mas cada indivíduo tem características próprias, pontos fortes e fracos", diz Matta. Mas ele ressalta a necessidade de uma orientação individualizada.

Para Gurevich, a motivação dos usuários permite que as atividades semipresenciais alcancem pleno resultado.

"Nossos casos mostram isso. Tudo depende da pessoa que está do lado de lá. Se existe alguém que está disposto a se desenvolver, não há diferenças."

Contato. Quando a opção for pelo serviço a distância, a vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH ), Elaine Saad, aconselha que especialistas e clientes comecem o trabalho com uma consulta física para se conhecerem e estreitarem a relação.

Ao término da consultoria, ela também recomenda uma atividade cara a cara.

"O e-coaching pode funcionar, mas precisa respeitar os conceitos aplicados no coaching, principalmente a relação entre o profissional que está sendo atendido com o orientador", avalia a especialista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.