Ferrovias precisam de investimentos de R$ 151 bi, diz CNT

Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Transporte, os aportes ficaram em R$ 25,3 bi entre 1997 e 2010

KARLA MENDES/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2011 | 03h09

Os investimentos do setor privado em ferrovias brasileiras alcançarão R$ 3 bilhões em 2011. A previsão é da Confederação Nacional do Transporte (CNT), que divulgou ontem uma pesquisa sobre ferrovias. O montante é praticamente o mesmo registrado no ano passado, quando foram investidos R$ 2,9 bilhões.

De 1997 a 2010, os aportes das empresas na malha ferroviária alcançaram R$ 24 bilhões. No mesmo período, os investimentos federais somaram apenas R$ 1,3 bilhão, segundo a pesquisa.

A necessidade de investimentos em ferrovias no País, no entanto, é bem maior que os investimentos que têm sido feitos. Bruno Batista, diretor executivo da CNT destaca que são necessários, pelo menos, R$ 151 bilhões de investimentos nos próximos anos, mas sem apresentar um prazo específico. Esse valor se refere à implantação de projetos ferroviários sugeridos no Plano CNT de Transporte e Logística 2011.

Rodrigo Vilaça, presidente da Comissão de Transporte Ferroviário da entidade, destaca que o Ferroanel, em São Paulo, é "a obra mais importante do País", por causa de sua relevância não só para o Estado de São Paulo, mas também por causa da interligação que fará com diversos corredores de transporte.

Apesar desses gargalos, o transporte ferroviário obteve crescimento nos últimos. Segundo a pesquisa da CNT, a quantidade de carga transportada nos 13 principais corredores de escoamento do País passou de 404,2 milhões de toneladas úteis em 2006 para 470,1 milhões em 2010, o que representa um aumento de 16,3%.

O minério de ferro foi o principal produto transportado pela vias ferroviárias em 2010, respondendo por 71% do montante total, segundo a pesquisa. Na segunda posição, figuram produtos agrícolas, como soja e farelo de soja, açúcar, milho e carvão mineral.

Atualmente, o sistema ferroviário brasileiro é composto por 30.051 quilômetros de extensão em 12 malhas concedidas, sendo que 11 delas são operadas pela iniciativa privada. Segundo o levantamento da CNT, 60% dos clientes usam o transporte ferroviário há menos de 20 anos e 65,9% utilizam terminais próprios.

A pesquisa mostrou ainda que 94,4% das empresas têm contrato de prestação de serviço com as concessionárias têm interesse em investir em obras ferroviárias. O principal obstáculo para o uso do transporte ferroviário é o valor do frete, quesito apontado por 39,4% dos entrevistados.

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