Fevereiro rubro?

Futuro do País não é simples questão de opinião, mas sim uma responsabilidade coletiva

Basilio Jafet *, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2019 | 05h00

Se o Brasil entrasse em guerra, certamente a grande maioria dos cidadãos o defenderia com a própria vida. Mas talvez algumas pessoas fizessem diferente: ficariam trancadas em casa, fugiriam ou até se tornariam aliadas do inimigo.

O País tem muitas batalhas pela frente. Para vencê-las, precisará de todos ao seu lado. O combate ao desemprego, por exemplo, só será possível com a retomada da economia e a melhoria do ambiente de negócios.

A onda de otimismo que varre o País favorece o investimento e o desenvolvimento. Com a definição dos rumos traçados pelo novo governo, os setores produtivos começaram a reagir. Basta ver os recordes na Bolsa de Valores e os auspiciosos resultados do mercado imobiliário.

De acordo com a Pesquisa Secovi-SP, no penúltimo mês de 2018 as vendas de imóveis na capital paulista cresceram 35,6% em relação às registradas em outubro. Na mesma base de comparação, os lançamentos residenciais aumentaram quase 30%. E tudo indica que fecharemos o ano com um bom resultado.

Isso nos leva a traçar um cenário positivo. Acreditamos que 2019 será bastante saudável para o mercado imobiliário e para o conjunto da indústria da construção, que, após cinco anos de queda (de 2014 para cá o PIB do setor caiu mais de 25%), voltará a crescer.

Temos tudo para continuar nesta marcha, desde que certas correntes da sociedade deixem de trabalhar contra. Falamos daqueles que, por questões ideológicas ou corporativas, já revelam disposição em atrapalhar a retomada econômica.

É o que se vê nas greves anunciadas a partir de fevereiro. Grupos pretendem travar a nação, opondo-se a medidas que o governo federal tem de aprovar rapidamente para equilibrar as contas públicas e, mesmo, assegurar benefícios como a aposentadoria, o que só será possível com a reforma previdenciária. E tudo indica que a classe parlamentar começa a entender a situação, devendo avaliar e votar com a premência que o problema exige a proposta governamental que deve ser enviada em breve ao Congresso Nacional.

A exemplo do Estado de São Paulo, a capital paulista também fez a lição de casa. No final do ano passado a Câmara Municipal aprovou a reforma previdenciária proposta por Bruno Covas. Conforme dados da Prefeitura de São Paulo, antes da reforma o rombo da previdência correspondia a 10% de todo o orçamento previsto pela gestão para 2019 (R$ 60 bilhões) e representa 91% de toda a arrecadação de IPTU prevista para este ano.

Sem a reforma, e de acordo com estimativas da Secretaria de Finanças, em poucos anos todo o montante arrecadado pelo IPTU seria consumido pelo pagamento de aposentadorias. A alternativa à reforma seria aumentar impostos e diminuir serviços. E cada vez mais, pois tratava-se do que chamamos de saco sem fundo.

A população brasileira revela maturidade. Compreende a caótica situação da Previdência e opta por corrigir o presente para garantir o futuro. Todavia, o endêmico e resistente corporativismo só poderá ser vencido se a opinião pública se posicionar firmemente, deixando claro que o Brasil está acima de interesses particulares. Mais ainda, que o tempo é de união em torno do País para que se aproveite a janela de oportunidade que este momento de boa vontade propicia.

Isso se mostra imprescindível, haja vista que a Previdência não é a única questão em xeque. Outras alas sociais prometem também combater medidas igualmente inadiáveis para sanear as contas públicas, como as privatizações, indispensáveis ao ajuste fiscal.

Fácil aquilatar os efeitos perversos das paralisações programadas. Experimentamos isso no ano passado, quando a greve dos caminhoneiros destruiu a chance de retomada econômica já em maio de 2018, diminuindo o ritmo da retomada do emprego.

O Brasil não deve enfrentar de novo o mesmo dissabor. Como nunca, precisamos ter a totalidade dos brasileiros torcendo a favor, não contra. É hora de adotar uma só bandeira: a verde e amarela. Romper paradigmas. Abrir espaço para as transformações necessárias para a presente e as próximas gerações. Entender que o futuro do País não é simples questão de opinião, mas sim uma responsabilidade coletiva, uma construção de todos nós.

* PRESIDENTE DO SECOVI-SP, O SINDICATO DA HABITAÇÃO

 

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