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FGC estende prazo para credores do Cruzeiro do Sul

Investidores externos terão até 5 de setembro para aderir à oferta pública para aquisição de créditos do banco com deságio menor

CYNTHIA DECLOEDT , O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h08

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) estendeu até 5 de setembro a data limite para adesão, com menor deságio, à oferta pública para aquisição de créditos contra o Banco Cruzeiro do Sul. Na terça-feira, encerrou-se o primeiro prazo para que os credores externos manifestassem intenção de venda dos bônus.

O desconto médio oferecido pelos papéis é de 49,1%, mas quem aderisse até anteontem garantia um prêmio de 5 pontos porcentuais. Agora, esse prêmio vale até a próxima quarta-feira. A extensão da data limite levou em consideração o número de ofertas que o FGC recebeu de investidores que não puderam cumprir os respectivos prazos originais de adesão antecipada. Todos os demais prazos e datas estabelecidos para as respectivas ofertas permanecem inalterados, informou o FGC.

Ontem de manhã, o FGC comunicou o mercado sobre o resultado da primeira fase. O Fundo informou que não alcançou os 90% de adesão necessários para evitar a liquidação do banco. No entanto, cálculos feitos por especialistas do mercado indicaram que a primeira fase da operação já garantiu ao menos 50% de adesão entre os credores externos. A data limite para a oferta é 12 de setembro.

Para alguns especialistas, o resultado foi bom. "O mercado foi melhor do que se esperava", disse o diretor da corretora TradeWire em Miami, Carlos Gribel. Ele aposta que a adesão geral está em torno de 75%. "Se para os bônus com vencimento em 2015 e 2016 a adesão foi de 75%, certamente a dos bônus 2020, que é uma dívida subordinada, superou os mais de 50% informados pelo FGC", disse.

Recompra. Segundo o FGC, a adesão para os bônus com vencimento em 2015 e 2016 havia ultrapassado 75% e a adesão para os bônus com vencimento em 2020 superou 50%. O fato de mais de 75% dos credores terem aceitado vender os bônus 2015 e 2016 implicará o direito ao FGC de adquirir os 25% restantes.

Portanto, o FGC já garantiu a recompra do total de US$ 250 milhões dos bônus com vencimento em 2015 e o total de US$ 400 milhões dos bônus com vencimento em 2016; e pelo menos metade (US$ 200 milhões) dos bônus com vencimento em 2020. A soma dos três montantes, US$ 850 milhões, equivale a 54% do total de US$ 1,575 bilhão em bônus do Cruzeiro do Sul que estão no mercado.

Para Gribel, além de uma potencial dificuldade para encontrar os credores que ainda não se manifestaram, pode haver resistência de detentores dos bônus com vencimento no dia 17 de setembro próximo. Segundo ele, esses bônus vencem dentro do prazo de 180 dias inicialmente estipulado no processo de administração temporária do Cruzeiro do Sul, e parte desses investidores não considera que tenham de vendê-los com deságio.

"Esses credores acham que deveriam receber o total, porque o FGC argumentou que iria honrar os compromissos dentro de tal prazo", disse. Ao mesmo tempo, ele ponderou que há apenas US$ 175 milhões de tais papéis em circulação, ou seja, se todos os demais aderirem e 80% dos credores dos bônus de 2020 se negarem a fazê-lo, o FGC teria garantido os 90% de adesão.

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