FGTS: adesão da baixa renda foi pequena

A venda de ações da Petrobras com recursos do FGTS no ano passado atraiu principalmente trabalhadores com alto grau de instrução, segundo estudo realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Entre os investidores, 72,5% tinham, pelo menos, o Segundo Grau completo. Porém, a grande campanha publicitária do governo não foi suficiente para atrair os trabalhadores de mais baixa renda, explica a subchefe da secretaria para assuntos fiscais do BNDES, Sheila Najberg. De acordo com os números do BNDES, 38,4% dos trabalhadores que participaram da operação tinham o 2º Grau completo ou o Superior incompleto e 36,8% tinham nível superior. Em termos de volume financeiro, estes trabalhadores foram responsáveis por 88,1% do total aplicado. Sheila Najberg acredita que uma ampla divulgação dos enormes ganhos obtidos por quem aplicou na Petrobrás pode ajudar a ampliar o universo de investidores para uma futura pulverização de ações. Entre agosto de 2000 - quando os fundos foram lançados - e último dia 20 de fevereiro, a aplicação do FGTS em ações da Petrobrás rendeu 67,24%. Risco O estudo também mostra que 74,6% dos investidores tinham mais de dois anos no emprego e 56,5% mais de cinco anos. Sheila explica que um dos fatores que pode explicar este comportamento é o baixo saldo dos trabalhadores com pouco tempo de serviço. "Temos que considerar que os trabalhadores com menos tempo de trabalho têm mais medo do desemprego e tendem a não colocar o dinheiro em investimentos de mais risco", explicou. Também temem o risco os trabalhadores perto de sua aposentadoria. "Trabalhadores mais próximos da aposentadoria provavelmente preferiram evitar colocar o FGTS em um investimento que envolve risco", avalia Sheila. A economista observa que é necessário muito cuidado para deixar claro que a ação é um investimento de risco e que o ganho com a Petrobrás não garante que o mesmo acontecerá com outras empresas.

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