FGTS: Centrais dividem-se na negociação

A Força Sindical decidiu apresentar ao governo uma proposta independente sobre a diferença do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) referente aos planos econômicos Verão e Collor 1. A entidade está elaborando um texto com alternativas de pagamento para ser entregue na chegada da marcha de trabalhadores a Brasília, esperada para o próximo dia 23, e não prevê a participação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no ato.Enquanto a Força admite negociar o pagamento, com possibilidade do repasse de ações ou imóveis públicos aos trabalhadores, a CUT se mantém firme no repasse imediato dos valores e quer o reconhecimento da dívida por parte do governo federal.O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, explicou que a proposta prevê o pagamento em dinheiro daqueles com direito a receber quantias pequenas, que devem corresponder, de acordo com dados preliminares da Caixa Econômica Federal, à maioria dos trabalhadores. Teriam prioridade também os desempregados, os aposentados com baixos rendimentos e os trabalhadores que permanecem na mesma empresa. Para quantias mais elevadas, a idéia é o pagamento com ações de estatais, imóveis públicos que não estão sendo utilizados ou imóveis que foram tomados de inadimplentes.A Força Sindical estima que o perfil da dívida deve se assemelhar a situação atual do FGTS, ou seja, a minoria das contas concentra os saldos mais altos. Segundo a CEF, em setembro, cerca de 75% das correntistas apresentavam saldos de até 4 salários mínimos, atingindo R$ 4,5 bilhões, ou 7% do total de depósitos. Por outro lado, 1,5% das contas tinham saldos acima de 100 salários mínimos, chegando a R$ 25 bilhões, 38,2% do total. CUT não acredita em proposta da ForçaJá o vice-presidente da CUT, João Vaccari, avalia que a iniciativa da Força Sindical será em vão porque até agora o governo não assumiu a responsabilidade pela dívida. "Eles vão entregar a proposta para quem, se o governo diz que o FGTS é privado e que não dará dinheiro para o pagamento?", indagou Vaccari, referindo-se às afirmações do ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, em encontro com os sindicalistas na semana passada.

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