FGTS: centrais sindicais são contra tributo

As centrais sindicais CUT, Força Sindical e SDS, além de empresários, não aceitam a nova proposta do governo de criar uma contribuição social de 2% sobre a folha de salários das médias e grandes empresas para pagar a correção de 68,9% referente ao expurgo das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Os representantes dos trabalhadores também se recusam a discutir o uso da multa de 40% paga pelas empresas nas rescisões de contratos, total ou parcial, e ameaçam abandonar as negociações amanhã caso o governo mantenha essa proposta."Se o governo insistir nessa proposta, vamos sair da reunião de amanhã com datas marcadas para manifestações em todo o País", disse o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. "Nós temos direito a receber dinheiro, não a pagar. Do nosso bolso não sai nada", acrescentou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, que também discorda da redução de 8% para 7% do porcentual da folha de pagamento que é recolhido para o FGTS. Essa medida, segundo o governo, seria uma contrapartida para a criação da contribuição de 2%.O presidente da Social Democracia Sindical (SDS), Enilson Simões, também disse ser contra o aumento de taxas para as empresas neste momento. "É um assunto que deve ficar para a reforma tributária", afirmou.Mais custos - A proposta do governo de cobrar das empresas a correção do saldo do FGTS também recebeu críticas por parte da classe empresarial. O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico, Merheg Cachum, acredita que a medida teria um impacto altamente negativo para as empresas."Essa proposta só reforça a série de penalidades que o empresário, que já sofre com a enorme carga tributária é submetido". Para o diretor de Relações Institucionais da OPP Petroquímica, Alexandrino de Alencar, a proposta vai na contramão do crescimento das empresas, que hoje lutam para reduzir custos. "Nesse sentido, o governo mostra que não está colaborando com o empresário, pois essa medida certamente vai implicar em elevação nos custos", afirmou.Embora as centrais sindicais tenham a mesma posição contrário em relação a essas novas sugestões do governo, elas continuam sem obter consenso em relação a uma proposta conjunta a ser apresentada ao governo na reunião de amanhã, em Brasília.Após reunião realizada ontem à tarde, CUT, Força Sindical e CGT decidiram retirar da proposta conjunta o item que trata do aumento da taxação das empresas. A CUT defende que o aumento de imposto recaia somente para as empresas que demitem indiscriminadamente. A Força quer taxar todas as grandes empresas. "Nessa questão, cada central vai defender sua visão, mas nas demais estaremos unidas", disse Felício. Entre elas está a correção do saldo do FGTS pela taxa Selic, de 15% ao ano e pagamento opcional de dívidas com ações de empresas estatais.No início da manhã, também estiveram reunidos o presidente da CUT e o da SDS, que concordaram ser necessário uma reestruturação do fundo para que o governo não tenha tanto poder de decisão. "Queremos a privatização do fundo, começando com a mudança na estrutura do Conselho Curador", disse Simões. Felício, da CUT, concordou que é preciso reestruturar o FGTS, mas discorda da privatização.

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