Tuca Melges/Estadão
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Com lucro de R$ 12,9 bi,  FGTS tem resultado  positivo em 2014

Valor é 40% maior do que o visto em 2013; no ano passado, R$ 43,1 bilhões do fundo foram destinados à habitação, R$ 6,7 bilhões a projetos de saneamento e R$ 6,2 bilhões a obras de infraestrutura

MURILO RODRIGUES ALVES, O Estado de S. Paulo

14 de julho de 2015 | 17h05

BRASÍLIA - O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) fechou 2014 com lucro de R$ 12,9 bilhões, resultado 40% maior do que o verificado no ano anterior (R$ 9,2 bilhões). O aumento é decorrente de uma reversão de provisão que impactou o balanço, aprovado nesta terça-feira, 14, em reunião do conselho curador do FGTS. O órgão reúne representantes dos sindicatos e de associações patronais e indicados do governo. Em 2012, o FGTS fechou no azul em R$ 14,3 bilhões. 

De acordo com os números divulgados pelo Ministério do Trabalho, foram contratados R$ 56 bilhões do FGTS no ano passado. Do total, R$ 43,1 bilhões foram destinados à habitação, R$ 6,7 bilhões a projetos de saneamento e R$ 6,2 bilhões para obras de infraestrutura. 

Dentro do programa Minha Casa Minha Vida, os recursos do FGTS beneficiaram 480 mil famílias, segundo o ministério. Foram gerados ou mantidos 3,4 milhões de postos de trabalho. Os subsídios alcançaram quase 8 bilhões em 2014.

O FGTS fechou o ano passado com R$ 77,5 bilhões em patrimônio líquido e R$ 410,4 bilhões em ativos. Para o ministro do Trabalho, Manoel Dias, que preside o conselho curador, o resultado foi "satisfatório".

FI-FGTS. O conselho curador do FGTS também aprovou as contas do fundo de investimento que usa parte dos recursos da poupança forçada dos trabalhadores. Como o Estado antecipou, há um mês, o aumento das provisões de risco dos investimentos feitos na Sete Brasil foi a principal razão para a redução da rentabilidade do FI-FGTS para 7,05% em 2014, ante o recorde de 8,22% verificado no ano anterior. O retorno financeiro do ano passado é o menor desde 2010, quando o fundo registrou rentabilidade de 5,51%.

O FI-FGTS reservou R$ 374 milhões para cobrir eventuais perdas com a Sete Brasil, empresa responsável pela administração de sondas do pré-sal. O fundo, que usa parte do superávit financeiro do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), é ao mesmo tempo sócio e credor da Sete. Criada em 2010 para construir 28 sondas que a Petrobrás usaria para exploração de gás e óleo em águas ultraprofundas, a Sete enfrenta grave crise financeira.

Pelas regras do FI-FGTS, a rentabilidade mínima a ser garantida nos projetos de investimentos em infraestrutura do fundo é de 6% ao ano mais Taxa Referencial (TR). O rendimento do saldo do trabalhador nas contas vinculadas é de 3% ao ano mais TR. O governo prometeu mandar até o fim deste mês um projeto para permitir que o trabalhador use até 30% do saldo da sua conta em um fundo dentro do FI-FGTS, com o objetivo de aumentar a rentabilidade da aplicação.

O FI-FGTS provisionou quase R$ 186 milhões para as perdas como sócio da Sete e R$ 188 milhões para os prejuízos caso a companhia não pague o financiamento que tomou com dinheiro do fundo.

De acordo com os números do balanço, o FI-FGTS tem R$ 455 milhões no Fundo de Investimentos em Participações Sondas, que controla 95% da Sete Brasil, tendo como sócios Bradesco, BTG Pactual, Santander e os fundos de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ) e da Caixa (Funcef). Os acionistas aportaram ao todo R$ 8,3 bilhões no projeto. Os outros 5% são da Petrobrás.

Em títulos de dívidas (debêntures), a Sete Brasil tem R$ 2,2 bilhões do FI-FGTS, quase 7% do patrimônio líquido total do fundo, de quase R$ 32 bilhões. 

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