FGTS: FHC admite pagar parte do fundo

O governo deverá acelarar as negociações para o pagamento da dívida de diferenças nos saldos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) por conta dos expurgos na correção dos planos Verão, em janeiro de 89, e Collor 1, em março de 90. Pelo menos, essa foi a promessa feita pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em conversa com o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. Na sexta-feira, após enviar um e-mail ao presidente, manifestando seu descontentamento com a notícia de que o governo não usará recursos do Tesouro para pagar a correção do Fundo, o sindicalista recebeu um telefonema de FHC. Na conversa, segundo Paulinho, o presidente teria concordado que o governo tem de arcar com uma parte da dívida e aceitou discutir a proposta de pagar parte da correção do Fundo em ações para os trabalhadores interessados em receber a dívida em papéis de empresas estatais e, até mesmo, já privatizadas nas quais o governo ainda tenha participação. Entre as empresas citadas por Paulinho estão Petrobrás, Vale do Rio Doce, Furnas e Chesf. "Não tem como o governo não contribuir com nenhuma parte dessa dívida", argumentou Paulinho. FHC, segundo o sindicalista, também deverá estudar as demais propostas das centrais sindicais, como o aumento de 8% para 9% da contribuição das empresas para o Fundo, criação da contribuição social em casos de demissões, entre outras. AlternativasAssessores do ministro Francisco Dornelles acreditam que ele tem um trunfo para usar na hora certa. O governo não vai colocar dinheiro no FGTS, mas pode concordar em remunerar melhor os papéis. Um exemplo disso são os créditos que o FGTS possui junto ao fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS), que rendem apenas 3,12% ao ano. O governo poderia concordar em dar a esses papéis rentabilidade de mercado pela taxa Selic ou oferecer para o FGTS porcentual de ações de boas empresas no mercado.O presidente da Social Democracia Sindical (SDS), Enilson Simão de Moura, é o único que concorda com a posição defendida, inicialmente, pelo governo, de que o dinheiro para pagar a conta não tem de sair do Tesouro. "A solução é a privatização do FGTS", disse Enilson de Moura, mais conhecido como Alemão. Ele defende que o FGTS tenha uma personalidade jurídica própria, possa emitir papéis e ter um rendimento compatível com as taxas de mercado.

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