FGTS: Malan defende pagar correções de R$ 1 mil

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, propôs ontem que a correção monetária do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço ( FGTS) sobre os planos Verão (1989) e Collor 1 (1990) seja paga primeiro para as contas com valores de até R$ 1 mil a receber. Segundo o ministro, 91,98% do total das contas têm até R$ 1 mil a receber e ficariam com o correspondente a 16,86% dos R$ 40 bilhões a serem pagos pela correção do FGTS de todos os trabalhadores. A proposta de pagar primeiro quem tem saldo menor a receber vem sendo defendida pelas centrais sindicais desde o início das discussões sobre o expurgo do FGTS. As contas acima de R$ 10 mil representam apenas 1,01% do total, mas têm 44,35% do total da correção do FGTS. "É enorme a disparidade da distribuição de renda nas contas do FGTS. Como é preciso equacionar essa questão do pagamento ao longo do tempo, então que os 91,98% dos trabalhadores com contas de menor valor recebam antes", disse Malan.Hoje, o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, se reúne novamente com a direção das quatro centrais sindicais - CUT, Força Sindical, CGT e SDS - para discutir uma proposta para o pagamento das perdas. Ele evitou dar uma data-limite para as conversações, diante de uma pergunta direta sobre se o prazo para resolver como pagar a correção do FGTS é mesmo o fim deste mês. "Vamos resolver isso o mais rápido possível", disse.PropostasAs centrais sindicais vão à reunião de hoje com algumas propostas de consenso fechadas nos últimos dias, mas também com divergências. Força Sindical, Central Única dos Trabalhadores e Central Geral dos Trabalhadores (CGT) estão unidas em vários pontos, com exceção do item que prevê o aumento da alíquota de contribuição para as grandes empresas. A CUT quer taxar apenas os setores que promovem demissões indiscriminadamente - e vai apresentar hoje um estudo que aponta a construção civil e o comércio como as de maior rotatividade de mão-de-obra. Força e CGT defendem a taxação de todas as grandes empresas. Já a Social Democracia Sindical (SDS) argumenta, sozinha, que o processo deve começar pela reformulação do Conselho Curador do FGTS, com a privatização da administração do fundo, que é feita pela Caixa Econômica Federal. A propostas mais recente feita pelo governo prevê a retenção de 10% do valor que cada pessoa teria a receber do saldo do expurgo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.