FGTS: passar horas esperando é a rotina

A aposentada Maria das Dores dos Santos, de 70 anos, chegou ontem por volta das 8h ao posto de atendimento da Caixa Econômica Federal na Vila Nova Cachoeirinha, Zona Norte. Até as 16h ela continuava aguardando atendimento. Permaneceu todas as horas de espera sentada em uma das cadeiras no amplo salão da agência, sem comer nada, mas ainda mantinha o bom humor. "Se a gente quer alguma coisa, tem de lutar para conseguir", diz. Foi a segunda vez que ela compareceu ao posto para receber a diferença do FGTS referente ao expurgo ocorrido durante os Planos Verão e Color 1. Na primeira, conseguiu agendar para o dia 30 o recebimento de R$ 197 do período em que tinha registro em carteira como costureira. Ontem, foi atrás do valor do expurgo do marido, já falecido. Maria das Dores tem rendimentos de R$ 400 mensais e diz que o dinheiro extra será bem vindo. Após sete horas de espera, o caseiro de chácara Paulo Rodrigues saiu frustado da Caixa. "Trouxe a carteira atual de trabalho, mas faltou a antiga e terei de retornar amanhã (hoje)." Ele não sabe quanto deve receber. Por falta do xerox do RG, o professor Hélio Esteves dos Reis também deixou o posto indignado porque já contava com os R$ 117 que esperava receber nos próximos dias. Ele permaneceu seis horas e meia no local, mas disse que retornaria ainda ontem com o documento. O posto atende até as 20 horas. O posto da Vila Cachoeirinha tem 24 caixas com atendentes designados apenas para explicar dúvidas sobre o pagamento do FGTS e orientar as pessoas sobre a documentação necessária. Depois de tudo pronto, há uma espera que pode chegar a 40 dias para receber efetivamente o dinheiro em uma agência da Caixa ou lotérica, ou ter o depósito creditado em conta corrente, conforme escolha do trabalhador. Segundo o gerente do posto da Vila Nova Cachoeirinha, Sérgio de Abreu, cerca de 3 mil pessoas estão sendo atendidas diariamente. Pela manhã, as filas na porta do prédio atravessam vários quarteirões. A maioria das pessoas chega ao local com o extrato enviado pela Caixa. Mas em muitos deles consta que a conta não foi identificada ou que o trabalhador não fez adesão ao programa e, para acertar isso, só mesmo enfrentando a longa fila. O Sindicato dos Bancários de São Paulo tem informado o registro de tumultos em algumas agências por causa da demora no atendimento ou queda do sistema de informática por conta de sobrecargas. A entidade informa que funcionários chegaram a ser ameaçados e quer garantias de segurança nas agências. Nos locais onde há maior movimento, principalmente em regiões periféricas da Grande São Paulo, há acompanhamento da Polícia Militar.

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