FGTS pode se transformar em investidor em ações

O próximo governo vai ter várias opções para transformar o FGTS em um investidor institucional de peso e melhorar a remuneração paga atualmente ao trabalhador, que é TR (taxa referencial) mais 3% ao ano. Uma das propostas em análise pelo atual governo, que será deixada para o sucessor, é a que prevê que o FGTS aplique um porcentual do caixa em ações. Os ganhos da aplicação seriam distribuídos entre os titulares das contas.Feita a aplicação dessa forma, os técnicos avaliam que serão superados dois grandes problemas. O primeiro é o baixo rendimento proporcionado a essa poupança compulsória, que é uma das principais reclamações dos cotistas. O segundo é evitar que o trabalhador corra riscos no mercado de capitais.O próximo governo poderá também atacar uma outra fonte de constantes atritos no Conselho Curador do FGTS, que reúne representantes do governo, empresários e trabalhadores: o direcionamento das aplicações do fundo, voltado prioritariamente para a população de baixa renda. "A classe média, que recebe salários mais altos e, portanto, contribui com a maior parcela de recursos para o fundo recebe de volta poucos benefícios", reconhece um técnico do governo.Nessa direção, o Conselho Curador já vem atuando. Poucos meses atrás foi aprovada uma resolução que criou a faixa especial de financiamento dentro do FGTS, proporcionando o acesso ao crédito habitacional para as famílias com renda de até R$ 4.500.É na remuneração que se concentra, no momento, a atenção dos técnicos. A proposta que coloca o FGTS como investidor prevê um porcentual ainda não definido de recursos que sairiam do caixa do fundo para o mercado de capitais. O Conselho Curador ficaria encarregado de definir as regras para a alocação dos recursos.Ano a ano uma parcela do rendimento da operação seria creditada na conta vinculada do FGTS. Nos anos ruins a distribuição não ocorreria. A vantagem nesse tipo de operação é que o FGTS seria, assim como os fundos de pensão, um investidor privilegiado, dado ao volume de recursos que movimentaria. A aplicação, de acordo com os técnicos, seria dirigida sempre para emissões de empresas que passassem por uma rigorosa lista de classificação."O FGTS pode, por exemplo, aplicar prioritariamente em empresas de saneamento. Com isso, ele contribuiria para o mercado de capitais e geraria uma renda maior para o trabalhador, sem perder de vista os seus objetivos", argumentou o técnico.Outra opção, de acordo com os técnicos do governo, é a continuidade da aplicação via Fundos Mútuos de Privatização (FMP). Por essa modalidade, os trabalhadores adquiriram ações da Petrobras e Vale do Rio Doce. Está prevista para o final do ano a compra de ações do Banco do Brasil. Nesse tipo de aplicação, o trabalhador que retira o dinheiro do FGTS para investir em ações perde a garantia mínima do governo e corre o risco inerente ao mercado de capitais.

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