FGTS: sindicatos apresentam proposta única

Os dirigentes das centrais sindicais CUT, CGT e Força Sindical reuniram-se hoje em São Paulo para formular uma proposta conjunta a ser enviada ao governo para o pagamento da correção do FGTS na época dos planos econômicos Verão e Collor 1 em 1989 e 1990. As centrais decidiram juntar em uma única proposta várias alternativas que vinham apresentando separadamente. De acordo com o presidente da CUT, João Felício, o objetivo é facilitar a negociação e dar mais poder de fogo aos trabalhadores na discussão. O ponto principal da proposta, que tem cerca de 10 itens, é aumentar a rentabilidade do FGTS.Uma das formas seria elevar a remuneração do fundo dos atuais 3% para 6% ao ano e aumentar a correção do Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS) - utilizado para financiar o contrato da casa própria - de 6% para 15,25% (taxa Selic).Felício acredita que a alocação de recursos do Orçamento deve ser cogitada. "O governo retira 20% de todos os ministérios para pagar a dívida interna e externa. Por que não paga também esta dívida?", questionou. Segundo ele, o governo está devendo R$ 34 bilhões ao fundo, o que seria resultado da gerência inadequada do dinheiro.Outra proposta levantada é oferecer R$ 10 bilhões em ações, não só de estatais como também de empresas já privatizadas nas quais o governo ainda possua participação, como a Embraer e Vale do Rio Doce, para os trabalhadores que se interessarem em receber a dívida em papéis.A pauta das centrais para aumentar a fonte de recursos prevê também a participação da iniciativa privada. A idéia é elevar o imposto de renda das instituições financeiras, hoje em 15%, para um porcentual ainda a ser definido, e aumentar de 8% para 9% sobre a folha de salários a parcela que as grandes empresas depositam no fundo.Além disso, os sindicalistas querem criar a "contribuição social", pela qual as empresas pagariam, além da multa de 40% do FGTS ao trabalhador demitido, mais 10% do valor total da conta a um fundo com a finalidade de pagar o débito.Segundo o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, as centrais vão apresentar o conjunto de propostas ao ministro do Trabalho, Francisco Dornelles em reunião na próxima quarta-feira. Caso não haja acordo, as entidades prometem dar início a um calendário de mobilizações em todo País para tentar pressionar o governo.

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