FGV: alimentação ainda vai pesar em abril e maio

O diagnóstico dos preços dos alimentos neste e no próximo mês não é dos mais animadores, avaliou o superintendente adjunto de Inflação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. Dentro dos preços ao consumidor, ele aposta que a alimentação deve subir menos que a taxa de 1,71% observada no IGP-10 de abril. Mas "não muito menos". "Esse é mais um fator para explicar por que a desaceleração dos IGPs não será tão rápida assim. Tem influência do IPC, que ainda não concluiu os repasses da indústria alimentícia", disse.

IDIANA TOMAZELLI, Agencia Estado

14 de abril de 2014 | 14h04

Segundo Quadros, a tendência é de que hortaliças e legumes desacelerem em maio. Neste mês, a alta foi de 15,65%. Apesar disso, os produtos derivados devem continuar subindo, como leite, carnes e óleo de soja, repercutindo elevações observadas nos preços ao produtor.

À margem disto, o pão francês acelerou de -0,36% para 2,32%, refletindo a alta no preço do trigo. "Mas isso não tem relação com estiagem, até porque não temos safra de trigo nesta época. É uma ocorrência no mercado internacional", explicou Quadros.

O IPC ainda foi impulsionado por dois outros grupos: Vestuário (1,08%) e Saúde e cuidados pessoais (0,72%). No primeiro, a troca de coleção de roupas influenciou os preços mais caros. No segundo, a vigência da nova tabela para medicamentos foi o que fez o índice acelerar.

O Índice Nacional da Construção Civil (INCC), por sua vez, acelerou de 0,31% para 0,39%, puxado pelo reajuste salarial da categoria no Rio de Janeiro.

Taxa em 12 meses

Com a expectativa de que a alimentação não dará trégua na próxima apuração, Quadros prevê que a taxa em 12 meses seguirá em aceleração. Em abril, o acumulado ficou em 7,77%, mas deve passar de 8% em maio. "Em maio de 2013, o IGP-10 teve deflação. Repetir é altamente improvável. Produtos importantes ainda estão em aceleração, e até que isso se reverta, será preciso mais tempo", justificou.

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