FGV: alta de preços na indústria pressiona inflação

A forte aceleração de preços dos produtos industriais no atacado (de 0,94% para 1,77%) levou à taxa maior do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de abril, que subiu 1,12%, ante aumento de 0,70% em março. A informação é do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. Segundo ele, o aumento de preços nos produtos industriais no atacado foi o mais intenso desde outubro de 2004, quando subiram 1,83%. "Até então, o índice era pressionado pelo avanço dos produtos agrícolas, principalmente no atacado", comentou o economista.Mas dessa vez, a inflação dos produtos agrícolas no atacado perdeu força (de 0,46% em março para 0,08% em abril), devido principalmente às deflações em itens in natura e em commodities importantes, como a soja (-4,06%).Em abril, o destaque na inflação do atacado foi mesmo do setor industrial, origem de aumentos de preços em vários segmentos diferentes. É o caso de acelerações de preços em automóveis (de 0,04% para 1,05%); produtos siderúrgicos para a indústria de transformação (de 1,71% para 3,92%); fertilizantes (de 10,51% para 10,80%) e materiais para manufatura (de 1,52% para 2,38%), entre outros.Ele comentou que esse cenário de preços em alta no setor é influenciado por oferta mais reduzida de insumos, acompanhada por demanda crescente, tanto no mercado internacional como no mercado interno. "O mercado está aquecido, tanto aqui como lá fora", disse, lembrando que a alta recente nos preços dos alimentos também foi causada pelo mesmo motivo.TendênciaA tendência dos IGPs no curto prazo, incluindo o IGP-DI, é de aceleração, na análise do coordenador da FGV. Ele preferiu não fazer projeções numéricas em relação aos próximos resultados dos indicadores. Mas admitiu que o cenário mostrado pelo IGP-DI de abril mostra que muitos preços em aceleração devem continuar a subir; e outros, que estão em queda ou subindo menos, devem reverter essa trajetória.Outro ponto destacado pelo economista foi o cenário mostrado pelos preços do varejo em abril, e uma forte perspectiva de alta para esse setor, no futuro. Atualmente com os preços em aceleração, medidos pelo IPC-DI, de março para abril (de 0,45% para 0,72%), essa trajetória tende a continuar. Isso porque vários itens importantes na inflação junto ao consumidor estão com suas matérias-primas subindo de preço no atacado. "As carnes podem subir no varejo, porque já estão em alta no atacado; os preços dos laticínios também podem subir no varejo, já que o leite in natura está subindo no setor atacadista (5,93%)", disse o economista.Ele acrescentou que há ainda a possibilidade de aumentos futuros nos preços de massas e farinhas, e do arroz, junto ao consumidor - visto que são derivados de itens que estão em elevação expressiva no atacado.

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