FGV: alta dos alimentos puxou inflação da baixa renda

A alta nos preços dos alimentos in natura levou ao aumento do Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), que mede o impacto da inflação entre as famílias de baixa renda, com ganhos mensais entre 1 e 2,5 salários mínimos (R$ 465 e R$ 697,50). O indicador subiu 0,23% em novembro, após registrar deflação de 0,18% em outubro.

ALESSANDRA SARAIVA, Agencia Estado

07 de dezembro de 2009 | 12h46

No entanto, de acordo com o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz, o avanço do IPC-C1 não preocupa. "Considerando apenas os meses de novembro, é a menor taxa para este mês desde 2005", afirmou. Na análise de Braz, os aumentos de preços em novembro ficaram mais concentrados nos alimentos in natura e não representam um cenário de aumentos "espalhados" pelo varejo.

Para exemplificar a questão, o especialista informou que o IPC-C1 em novembro registraria deflação de 0,21% se fossem excluídos os alimentos in natura, como frutas, hortaliças e legumes. "Quando os aumentos de preços estão concentrados em um número pequeno de produtos, isso dá uma tranquilidade maior nas projeções de inflação de longo prazo", disse.

Ele comentou ainda que a perspectiva para o fechamento do IPC-C1 neste ano também é boa. Até novembro, a taxa acumulada em 12 meses do indicador subiu 4,11%. "Acho que a taxa em 12 meses tem chance de ficar menor ainda", afirmou o economista. Segundo ele, em dezembro do ano passado a variação do IPC-C1 foi de 0,57%.

Na análise do técnico, é possível que o indicador apresente taxa menor no último mês do ano, o que levaria a uma variação em 12 meses menos intensa do índice. Isso faria com que a inflação da baixa renda encerrasse o ano com desempenho em torno de 4%. Caso essa previsão se confirme, a taxa do índice seria a menor dos últimos três anos para o IPC-C1, perdendo apenas para o resultado anual de 2006 (1,65%).

Ao longo de 2009, o aluguel e as tarifas públicas representaram grande parte da inflação acumulada mensurada pelo IPC-C1. Entre os destaques, estão as elevações de preços acumuladas em 12 meses até novembro de aluguel (7,39%), gás de botijão (11,27%), tarifa elétrica residencial (5,36%) e taxa de água e esgoto (7,98%).

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