FGV: apesar de medidas, câmbio seguirá apreciado

O economista do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e coordenador da Sondagem Industrial, Aloisio Campelo, avalia que o câmbio permanecerá apreciado, apesar das medidas adotadas pelo governo nesta semana. Isso porque, segundo ele, o Brasil continuará recebendo intenso fluxo de investimentos estrangeiros porque a economia brasileira tem registrado taxas de crescimento superiores a de outros países e oferece um diferencial de juros muito atrativo.

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, Agencia Estado

29 de julho de 2011 | 16h44

"Isso estimula a entrada de investimentos estrangeiros no País", disse Campelo, para quem as medidas cambiais ainda assim são interessantes no sentido de tentar conter a apreciação "indesejável" do real frente ao dólar por razões estruturais. Ele lembrou que o dólar norte-americano vem perdendo valor frente a diversas outras moedas.

Campelo mostrou-se otimista sobre as medidas que devem ser anunciadas pelo governo para estimular a produção industrial brasileira. "Estou mais otimista do ponto de vista da inovação, porque a tecnologia tem de acompanhar o setor produtivo e este deve ser um dos principais focos do conjunto de medidas", afirmou. Ele ressaltou o papel que a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, passará a ter no conjunto dessas medidas.

"A Finep deve se tornar uma espécie de BNDES para o financiamento da inovação tecnológica para o setor industrial", disse. Campelo explicou que há outros pontos deficientes na produção nacional, mas que a inovação é fundamental para a indústria nacional.

Exportação

As indústrias brasileiras que exportam até 50% da sua produção são as mais prejudicadas pela apreciação do real frente ao dólar norte-americano, segundo Campelo. Ele tomou como comparação o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) desse segmento industrial em relação ao das indústrias que têm produção voltada para o mercado doméstico.

Neste mês, o Nuci das indústrias francamente exportadoras foi de 82,6%, abaixo da média histórica, desde 2003, para este segmento que é de 83,9%. Em julho, o Nuci das empresas voltadas para o mercado interno foi de 85,5%, contra uma média histórica de 82,4%.

Campelo informa que o Nuci da indústria nacional, como um todo, foi de 84,1% em julho, superior à média histórica de 83,3%.

Quanto a intenção de investimento, o economista diz que, entre as indústrias francamente exportadoras, 23% afirmaram em julho que pretendem investir. Já, entre aquelas voltadas para o mercado doméstico, 55% responderam que pretendem fazer investimentos.

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