FABIO MOTTA / ESTADÃO
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FGV aponta novo trimestre de queda nos investimentos

Ibre/FGV projeta recuo de 2,2% no indicador entre janeiro e março, após queda de 2,5% registrada no último trimestre de 2018

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2019 | 04h00

RIO - Os economistas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) revisaram sua projeção de crescimento para a economia em 2019, de 1,8% para 1,4%.

No primeiro trimestre, a expectativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha variação nula ante os três últimos meses de 2018, confirmando o quadro de paralisia na economia. A principal responsável por isso é a elevada incerteza quanto aos rumos da economia, com destaque para a falta de definição sobre a reforma da Previdência, disse a economista Silvia Matos, coordenadora técnica do Boletim Macro Ibre.

Na economia real, essa paralisia se materializa na suspensão de projetos de investimento, ao mesmo tempo que os governos, em crise fiscal, cortam os investimentos públicos. A projeção do Ibre/FGV aponta para uma queda de 2,2% na formação bruta de capital fixo (FBCF, medida do total dos investimentos no PIB) no primeiro trimestre ante o quarto trimestre de 2018.

“Todos os números (do primeiro trimestre) vieram extremamente negativos, com baixo crescimento da produção e da importação de bens de capital”, disse Silvia, que apresentará as projeções atualizadas do Ibre/FGV para a economia no seminário “Perspectivas 2019”, promovido pelo instituto em parceria com o Estado, na quinta-feira, na sede da FGV em São Paulo.

Se confirmada, a queda na FBCF será a segunda seguida. No quarto trimestre de 2018, o investimento caiu 2,5% ante o terceiro trimestre. Segundo Silvia, diante das expectativas positivas após as eleições de outubro, seria natural haver alguma recuperação dos investimentos no início deste ano, mas a falta de articulação política do governo para aprovar mudanças na Previdência no Congresso Nacional cria dúvidas sobre a agenda de reformas.

“Há evidência, não só para o Brasil, mas também lá fora, de que a incerteza econômica atrapalha muito o investimento”, disse Silvia.

Para piorar, a economia brasileira foi atingida por dois choques negativos na virada de 2018 para 2019. De um lado, o agravamento da crise econômica na Argentina desde o segundo semestre do ano passado minou a demanda externa da indústria manufatureira, com destaque para a automotiva. Por outro, o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração da Vale em Brumadinho (MG), em janeiro, atingiu em cheio a indústria extrativa.

Nas contas do Ibre/FGV, os dois choques retiraram 0,2 ponto porcentual do PIB na passagem do quarto trimestre de 2018 para o primeiro deste ano, ou seja, não fossem esses eventos, a economia poderia crescer 0,2% em vez de ficar no zero a zero, como estima a equipe de Silvia.

As projeções consideram a aprovação da reforma da Previdência num prazo e com a magnitude suficientes para impedir uma deterioração das contas públicas. Silvia reconhece que as projeções do Ibre/FGV estão “na ponta” otimista, diante de diversas estimativas que apontam para uma retração no primeiro trimestre, com crescimento em torno de 1,0% no ano. A economista não descarta retração no PIB no primeiro trimestre. Nas projeções do Ibre/FGV, a economia só não ficou no vermelho por causa do crescimento de 0,2% no consumo das famílias.

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