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FGV aponta que exportadoras estão produzindo mais

A utilização da capacidade instalada das indústrias que vivem do comércio exterior ultrapassou - pela primeira vez nos últimos dois anos - a barreira dos 90%. A conclusão é da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base em levantamento com dados de 67 empresas que tiram das exportações três quartos do faturamento total. Em abril deste ano, a taxa chegou a 91,6%; no mesmo período do ano passado foi de 84,3%.?A situação para elas realmente está boa", disse o coordenador de análises econômicas da FGV, Salomão Quadros. O grupo fatura R$ 16 bilhões ao ano e exporta mais de 50% das vendas. São indústrias "genuinamente exportadoras", por isso, sofrem menos com as quedas do dólar, como a das últimas semanas. O uso do parque fabril é o maior desde o início da pesquisa, em 2001. Além da elevada utilização da capacidade, 31% das empresas francamente exportadoras avaliam que a demanda externa está forte. Apenas 8% dizem que o mercado está fraco, o que resulta num saldo de respostas de 23 pontos, cinco vezes maior do que no ano passado. A medida de saldo (diferença entre respostas forte e fraca) é relevante, segundo a Fundação, porque neste tipo de pesquisa é grande a probabilidade de os entrevistados declararem que os negócios prosseguem estáveis. O saldo permite identificar a tendência, defende Quadros. Mas a baixa ociosidade nas exportadoras pode representar um gargalo potencial para o crescimentos das exportações, caso a demanda avance rápido.Ainda assim, o coordenador da FGV não acredita que este tipo de problema se resolva com políticas industriais. "Não há problemas específicos. A questão é geral, de falta de investimentos na economia. A siderurgia, por exemplo, não enfrenta um problema especial. O que se precisa é de normalização do cenário macroeconômico, que vai estimular os investimentos." Dados diferentesOutro levantamento da FGV expõe o cenário e tendências de outro pelotão de empresas, que vendem no exterior de 20% a 50% do total movimento. Ou seja, têm no mercado interno a principal fonte do faturamento. Esta mostra contempla 97 empresas, com faturamento conjunto de R$ 60 bilhões ao ano. O uso da capacidade industrial deste grupo também cresceu, mas em bases menores. Foi de 82,1% no último mês de abril, ante 78,9% do mesmo mês no ano passado e 80,7% de janeiro deste ano.Os dados deste segundo grupo confirmam que a demanda externa continua aquecida. "Essa maré boa do mercado externo também está extravasando para eles", diz Quadros. O risco, aqui, é o câmbio. Parte destas empresas pode ter aumentado exportações de forma oportunista, aproveitando a alta do dólar. Com a queda da cotação, as empresas podem desacelerar gradativamente as vendas para o exterior.Segundo a Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto (Andima), o dólar médio no primeiro quadrimestre deste ano foi de R$ 3,466, 42% acima da média no primeiro semestre de 2002 (R$ 2,443) e quase 2% superior, ainda, a do segundo semestre de 2002 (R$ 3,399)."Se a atividade interna ficar muito ruim, vão se esforçar para exportar. Mas se à queda do dólar se somar um aquecimento (da demanda doméstica) eles voltam-se muito mais para o mercado interno", afirma Quadros. "Isso vai ser um grande teste do ajuste externo feito pelo País. Nosso ajuste da balança comercial é um ajuste que não passou por todas as provas."

Agencia Estado,

17 de maio de 2003 | 09h00

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