FGV: atacado e construção puxam inflação pelo IGP-10

As acelerações de preços no atacado (inflação de 2,21% em junho, contra 1,91% em maio) e na construção civil (2,66%, ante 0,85%) foram determinantes para a taxa maior do IGP-10 de junho, que foi de 1,96%, ante 1,52% em maio. A avaliação é do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. De acordo com ele, embora a inflação na construção civil tenha menor peso no cálculo do IGP-10, a disparada de preços no setor foi tão intensa que sua influência se equiparou à contribuição do setor atacadista na formação do indicador - que é o de maior peso no cálculo do indicador.No setor atacadista, o destaque ficou por conta da aceleração de preços nos bens finais (inflação de 1,65% em junho, ante 0,51% em maio). Isso porque houve uma "virada" nos preços dos in natura, que passaram de uma deflação de 6,10% em maio para uma inflação de 8,03% em junho. "O feijão subiu 20,95% em junho, ante queda de 9,89% em maio. Há uma insuficiência de safra para atender à forte demanda", afirmou, explicando que o País está recorrendo à importação para suprir a demanda. Os ovos também sofreram uma mudança em sua trajetória de preços, com queda de 10,13% em maio para elevação de 12,33% em junho.No setor da construção civil, houve aumentos mais intensos de preços em materiais (+1,83%), serviços (+1,40%) e mão-de-obra (+3,69%). No caso dos materiais, a inflação no setor foi a mais forte desde novembro de 2004, quando os preços subiram 1,92%. "O setor da construção, está recebendo o impacto das altas de preço no atacado. A demanda no setor está muito aquecida", afirmou Quadros.

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