FGV: confiança e estoque alto sugerem desaceleração

Os resultados da Sondagem da Indústria da Transformação em agosto, divulgados nesta segunda-feira, 26, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), desautorizam otimismo para o comportamento do setor neste terceiro trimestre. A avaliação é do superintendente adjunto de Ciclos Econômicos, Aloisio Campelo. "A desaceleração (da indústria) no terceiro trimestre está dada", disse.

DENISE ABARCA, Agencia Estado

26 de agosto de 2013 | 17h53

De acordo com a sondagem, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 0,6% em agosto ante julho, passando de 99,6 pontos para 99,0 pontos, menor nível desde julho de 2009 (95,7 pontos). O Indicador de Nível de Estoques caiu 3,8% - a proporção de empresas que avaliam o nível atual de estoques como excessivo pulou de 7,7% para 9,4% e a parcela que considera os estoques insuficientes caiu de 4,5% para 2,5%.

"Se excluirmos a variação dos estoques, o índice não teria queda, teria ficado estável. O que não deixa de ser uma notícia não muito boa porque, quando acumula estoque, a indústria tende a desacelerar", disse Campelo, lembrando que a trajetória atesta um descasamento entre a demanda planejada e a demanda concreta.

Segundo ele, o acúmulo de estoques foi disseminado nos segmentos industriais, sendo que quatro dos 14 pesquisados estão com estoques excessivos. "Por categoria de uso, o mais estocado é o de bens duráveis, puxado pela cadeia de Transporte (automóveis)", revelou. Os demais são Vestuário e Calçados; Mecânica (linha branca, máquinas e equipamentos); e Materiais não metálicos (cimentos, azulejos e porcelanas, vidros, e outros produtos ligados a material de construção civil).

Em contrapartida, Campelo afirmou ter havido redução nos estoques do segmento de não duráveis, que responde por cerca 25% do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de transformação, que compreende, por exemplo, itens de alimentação, higiene e limpeza. "Vinham piorando desde o começo do ano, por causa de componentes externos, como a desaceleração dos países demandantes, e internos, com a inflação e desaquecimento da massa salarial", declarou.

"Mas isso é exceção", complementou Campelo. "Há dois outros segmentos que não são a cadeia majoritária mas têm efeito multiplicador: bens de capitais e duráveis. Bens de capital foi o último a piorar, mas em agosto ficou abaixo da média histórica." Conforme o superintendente, a parte de caminhões, máquinas e equipamentos para indústria e agricultura foi o destaque negativo do segmento.

No âmbito do ICI, o Índice da Situação Atual (ISA) recuou 1,1% e o Índice de Expectativas (IE) caiu 0,1%. O indicador de emprego previsto recuou 0,5% e o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) recuou 0,2 ponto porcentual, para 84,2%.

"O cenário está prejudicado no curtíssimo prazo. Não está garantido um desempenho muito bom para setembro", previu. Na avaliação de Campelo, na sondagem anterior havia expectativa que, passada a fase dos protestos e manifestações entre junho e julho, os dados de agosto seriam mais favoráveis, mas isso não se concretizou. Para setembro, "se a demanda aumentar, primeiramente há que se tentar ajustar os estoques". "Não é provável que a produção aumente muito. Para o terceiro trimestre, o resultado de hoje consolida uma desaceleração bem clara do setor", disse o superintendente, mencionando ainda a queda do Nuci.

Quanto ao câmbio mais depreciado, Campelo disse haver ainda uma melhora incipiente via expectativas futuras. "Estão começando a melhorar para o futuro, em agosto não estão grande coisa."

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