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FGV: confiança industrial não anima mercado de trabalho

A confiança dos industriais iniciou uma trajetória de recuperação mais disseminada entre os setores e que já pode ser verificada nas projeções de aumento da produção pelos próximos meses, mas ela ainda é incapaz de impulsionar a retomada do emprego e dos investimentos. A avaliação é de Aloisio Campelo, coordenador de sondagens conjunturais do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), que divulgou hoje o Índice de Confiança da Indústria (ICI) de março.

ANNE WARTH, Agencia Estado

31 de março de 2009 | 18h43

O indicador de produção prevista voltou em março ao terreno positivo ao registrar 107,8 pontos (numa escala de 0 a 200, em que números acima de 100 são considerados positivos e abaixo, negativos), depois de três meses negativos. Mas o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) ainda não voltou aos 80%, sua média histórica. Em março, o Nuci ficou em 77,7%, 0,1 ponto porcentual acima de fevereiro (77,6%), quando foi registrado o pior resultado desde outubro de 1993. O Nuci permanece abaixo dos 80% desde dezembro, mas, em março, ele parou de cair.

A despeito desses sinais, a perspectiva permanece ruim para o trabalhador. O indicador de emprego previsto ficou com 84,6 pontos em março. O resultado é um pouco superior aos 82,4 pontos de fevereiro, o pior desde abril de 1999, quando atingiu 81 pontos. "Não há nenhum sinal de retomada das contratações. Temos apenas uma diminuição no ímpeto de demitir. O indicador parece ter parado de piorar", disse Campelo.

"A indústria se recuperou, mas ainda permanece com nível de atividade muito fraco. Ainda é cedo para falarmos de uma recuperação no emprego e nos investimentos. A impressão é de que estamos começando a querer fugir do vale", afirmou. Segundo ele, esse resultado está muito ligado à dificuldade para captar crédito, em razão dos spreads elevados. Spread bancário é a diferença entre o custo de captação dos recursos e o juro cobrado na operação de crédito.

Diferentemente de fevereiro, quando o crescimento da confiança foi verificada exclusivamente na cadeia automotiva, em março, 9 dos 14 setores nos quais a FGV divide a indústria para realizar a pesquisa apresentaram um comportamento de alta no Índice de Confiança da Indústria (ICI). O indicador ficou em 77,9 pontos, alta de 2,2% sobre fevereiro. Foi o quinto pior resultado desde o início da série histórica, em abril de 1995, mas uma evolução pelo terceiro mês consecutivo, desde o resultado de dezembro (74,7).

A demanda interna da indústria mostrou recuperação desde os 65,5 pontos dezembro, ao registrar 74,9 pontos em março. Já o nível de demanda externa continua na trajetória de queda iniciada em setembro. Em março, o índice registrou 59,8 pontos, o pior resultado desde janeiro de 1983 (59,1 pontos).

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