FGV: deflação deve acabar, mas câmbio pode ser aliado

O período de deflação do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) caminha para o fim no curtíssimo prazo, mas o câmbio valorizado no Brasil pode ser um aliado para manter a variação do indicador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em um nível bastante baixo e controlado. A avaliação é do coordenador de Análises Econômicas do instituto, Salomão Quadros, que trabalha com a hipótese do IGP-M subir já em junho ante as quedas observadas em maio (-0,07%), abril (-0,15%) e março (-0,74%). "O processo de esgotamento da deflação tende a se manifestar ", comentou. "Já no próximo mês, o IGP-M terá condições de não repetir taxas negativas", complementou.

FLAVIO LEONEL, Agencia Estado

28 de maio de 2009 | 16h10

O cenário de recuperação de preços aguardado pelo coordenador da FGV tem ligação com uma avaliação de que o comportamento dos preços do atacado, que recuaram 0,30% em maio, deverá ser de queda menor ou de alta. De acordo com ele, os primeiros sinais, ainda que tímidos, de recuperação na atividade econômica de alguns países tendem a ser captados não somente por preços de matérias-primas (commodities) no mercado internacional, mas também por preços de itens manufaturados.

Para Quadros, no entanto, a valorização do real ante o dólar norte-americano é o grande novo fator que pode influenciar o comportamento do atacado e, consequentemente, do IGP-M. "A valorização do câmbio é um fator importante também para baixar os preços. Já saímos daquele ponto morto do dólar e já existe um efeito deflacionário vindo do câmbio", destacou.

Maio

O coordenador da FGV afirmou que o comportamento de queda dos preços dos produtos in natura no atacado foi o fator principal para a manutenção da deflação no IGP-M no mês de maio. Ele destacou que o segmento, cujo valor médio caiu 5,31% em maio ante alta de 2,83% em abril, trouxe um alívio de 0,18 ponto porcentual (pp) para a taxa do conjunto geral de preços no atacado, que representam 60% do IGP-M. "O que fez diferença em maio foram os produtos in natura", disse.

A análise do coordenador tem ligação principalmente com o que aconteceu este mês com os preços no atacado na divisão que a FGV realiza por origem. No período, a alta dos preços agropecuários, que contêm a parte in natura, foi menor (0,24%) do que em abril (0,84%). Esse movimento aliviou a queda bem menos expressiva observada nos preços industriais do atacado, que variaram -0,85% em abril e recuaram 0,48% em maio.

Quadros destacou que a importância desta espécie de "choque" de alguns itens in natura foi tão grande em maio que eles conseguiram amenizar até alguns efeitos provenientes de itens agropecuários com peso bastante forte no IGP-M, como a soja e o milho. Entre abril e maio, o primeiro passou de uma alta de 3,97% para uma variação positiva de 5,13%. O segundo, por sua vez, passou de uma queda de 3,19% para uma elevação de 6,3%.

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