FGV diz que serviço público paga mais que privado nas regiões mais pobres

A Fundação Getúlio Vargas publicou estudo apontando que os salários dos servidores públicos nas regiões Norte e Nordeste são maiores que os salários em profissões equivalentes na iniciativa privada. Segundo a FGV, isso se dá por causa das transferências constitucionais como IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) e IR (Imposto de Renda) que compõem o FPE (Fundo de Participação do Estado) e corrigem as distorções entre as regiões mais ricas e as mais pobres do País.O assistente técnico da Secretaria de Planejamento do Estado, Valden Guerra Ferreira, 48 anos e 29 de profissão, comemorou a elevação do salário de R$ 500 bruto a pouco mais de quatro anos para cerca de R$ 1,8 mil agora."Isso se deu mais porque o governo instituiu o Plano de cargos, Carreiras e Salários que valorizou o servidor. Nossos salários foram corrigidos, porque antes tinha muito penduricalho e não incidia nenhum reajuste sobre o salário. Isso achatava os nossos ganhos. Vivíamos de abono", explicou Valden Guerra, explicando que assistente técnico é um cargo de nível médio.O cargo de Valden Guerra é equivalente ao do auxiliar de contador Raimundo Alves Moreno, 34 anos. Raimundo com sete anos de profissão tem salário bruto de R$ 1.225. Ele considera que no serviço público não se paga tão bem. "Existe muita ilusão quanto ao salário. O serviço público oferece mais estabilidade e o servidor pensa que trabalha menos, até porque geralmente é um expediente único corrido", comentou. DistorçõesA contadora Antônia Passos de Moura, 54 anos e 28 de profissão, disse que deve haver distorções no estudo da FGV, pois geralmente a iniciativa privada paga melhor que o serviço público. Ela deu como exemplo o contador Anastácio Pereira de Araújo Silva, 43 anos e mais de 15 anos na profissão. Ele funciona como auxiliar de Antônia Passos e ganha o equivalente a R$ 2.275, dificilmente o Estado pagaria isso, apesar de Anastácio ter curso superior."Eu tenho uma irmã que se aposentou agora e apesar da estabilidade, ela ganha pouco mais de R$ 550. Na iniciativa privada os salários são bem melhores", contestou Antônia Passos.Segundo dados da Secretaria Estadual de Fazenda do Piauí, as receitas provenientes de transferências constitucionais para o Piauí representam mais de 55% das receitas totais do Estado. O governo priorizou o funcionalismo público e promoveu o reajuste salarial através dos planos de cargos e carreiras em várias categorias. Isso elevou o ganho real do salário do servidor público, segundo o gerente de Despesas do Estado, Francisco José Moraes.Ele reconhece que houve um ganho real nos salários dos servidores públicos. Mas o estudo da FGV não é unanimidade. Por exemplo, um médico no Programa Saúde da Família ganha em média R$ 3 mil. Na iniciativa privada ganha cerca de R$ 4 mil. "Tudo depende da lei de mercado, mas a iniciativa privada paga bem melhor do que a pública. Eu cito como exemplo um médico do Hospital Universitário, que é federal, com todas as benesses ganha R$ 1,5 mil para trabalhar quatro horas", comentou o médico José Francisco Vasconcelos, que foi presidente do Sindicato dos Médicos no Piauí.

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