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FGV e Broadcast debatem impacto da crise política do governo no ajuste fiscal

'A economia e a conjuntura política no 2º mandato de Dilma Rousseff' será o tema da palestra promovida em parceria com a Agência Estado

Estadão Conteúdo

11 de março de 2015 | 09h53

A crise política pela qual passa o governo da presidente Dilma Rousseff, com uma relação cada vez mais difícil com o Congresso Nacional e manifestações populares marcadas para o próximo domingo, 15, tem afetado diretamente a execução do plano de ajuste fiscal. O impacto dessa crise na determinação da presidente de seguir com o ajuste será um dos focos da palestra "A economia e a conjuntura política no 2º mandato de Dilma Rousseff", promovida nesta quinta-feira, 12, a partir das 11 horas, pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com a Agência Estado.

A palestra acontecerá na sede da FGV (Rua Itapeva, 432 - 8º andar, sala 804). Ela será feita pelo jornalista Fábio Alves, repórter especial e colunista do Broadcast, serviço de informações financeiras em tempo real da Agência Estado, com mediação da editora-chefe do jornal O Estado de São Paulo, Maria Aparecida Damasco, e participação de Luís Eduardo Assis, ex-diretor do Banco Central; Marco Antonio Carvalho Teixeira, cientista político da FGV; e Marcos Fernandes Gonçalves da Silva, economista e professor da FGV.

"A crise política entre o governo Dilma e líderes políticos no Congresso acontece num momento particularmente difícil na economia brasileira, com a inflação em alta, perspectiva de recessão e queda na geração de empregos, o que pode levar a um círculo vicioso de a conjuntura política afetar a econômica e vice-versa", avalia o jornalista Fábio Alves, autor do livro "Inflação, Juros e Crescimento no Governo Dilma", publicado pela Altabooks.

O palestrante destaca que a magnitude e extensão das manifestações programadas para este fim de semana devem ser o "termômetro" dos próximos passos da presidente em relação ao ajuste fiscal. "Se ela vai recuar nas medidas de ajuste fiscal e também negociar com a sua base aliada no Congresso ou se seguirá adiante sem espaço para negociar", afirma.

Um dos debatedores, o cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira destaca que o debate sobre os efeitos da conjuntura política na economia é extremamente importante, uma vez que Dilma vive a pior crise política desde o governo do ex-presidente Fernando Collor. "Nem o Lula, no auge do mensalão, esteve tão enfraquecido", disse. Ele reconhece que essa crise está afetando "completamente" o ajuste fiscal que busca recuperar a credibilidade da economia brasileira.

Exemplo concreto, citou, foi a devolução da Medida Provisória 669 por parte do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para o Executivo, como retaliação à citação do peemedebista na lista dos políticos que serão investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Lava Jato. "A presidente Dilma já teria de rever muita coisa, mas com esse agravamento da crise política o custo de negociação dela vai aumentar. Ainda mais com o Renan dizendo nos bastidores que é oposição", avaliou.

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