FGV: expectativas em relação ao Brasil esfriaram

A preocupação com o avanço da inflação e a percepção de que o consumo no mercado doméstico brasileiro este ano não será tão forte quanto no passado esfriaram as expectativas dos analistas quanto ao futuro da economia do País nos próximos meses. Hoje, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o instituto alemão IFO divulgaram o Índice de Clima Econômico (ICE) da América Latina, calculada com base na Sondagem Econômica da América Latina, que mostrou as expectativas relacionadas ao Brasil no nível mais baixo em um período de um ano.

ALESSANDRA SARAIVA, Agencia Estado

19 de maio de 2010 | 13h30

O índice foi calculado com base em entrevistas com 152 especialistas em 17 países. Responsável pela divulgação do ICE, a economista e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Lia Valls comentou ainda que há um consenso cada vez maior entre os analistas de que o ano de 2010 contará com medidas de maior aperto monetário, com alta de juros, para ajudar a conter o avanço da demanda e, por consequência, a arrancada da inflação no País. De janeiro para abril, as estimativas de inflação no Brasil dos analistas para 2010 aumentaram de 4,5% para 5,3%, do levantamento anterior para a pesquisa anunciada hoje.

Além disso, de acordo com Lia, os analistas observam que, diferentemente do que ocorreu em 2009, o Brasil não contará este ano com grande número de incentivos fiscais para consumo - como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em automóveis e produtos de linha branca efetuado no ano passado.

Entretanto, a especialista fez uma ressalva. Ela comentou que a avaliação dos analistas sobre o momento presente na economia brasileira em abril atingiu o melhor nível da série, em 21 anos. Ou seja: os analistas podem pensar que a economia brasileira já vive um momento de "pico" e não teria como melhorar ainda mais. "Acho que esta piora tem que ser um pouco qualificada; tivemos ótimas avaliações sobre o momento presente na economia; e isso pode ter influenciado as perspectivas futuras dos analistas quanto ao Brasil", disse. "Mas é claro que, se tudo estivesse bem, as expectativas não teriam caído", avaliou.

Mesmo com a boa avaliação do momento, os analistas pesquisados para cálculo do ICE mostram que o País ainda conta com alguns problemas. Os mais citados em abril por especialistas foram: falta de competitividade internacional, falta de mão de obra qualificada, déficit público e a já citada inflação. Na prática, estes também foram os principais problemas citados pelos analistas para todas as economias da América Latina.

Mas de uma maneira geral, a avaliação dos analistas sobre a economia latino-americana é boa, na análise da economista da fundação. "Se comparar com outros países desenvolvidos, a América Latina conta com um cenário melhor. Temos vários países experimentando boom econômico", afirmou. Ela afirmou que a pesquisa para o ICE foi realizada antes do agravamento da situação da economia na Grécia, bem como seu reflexo nos mercados financeiros mundiais.

Tudo o que sabemos sobre:
FGVBrasilexpectativas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.