FGV: há risco de descasamento entre oferta e demanda

Os dados da Sondagem Conjuntural da Indústria da Transformação, realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), não são definitivos, ou mesmo explosivos, mas sinalizam que a indústria deve retomar o forte ritmo apresentado no segundo semestre de 2007 e que, se disseminado entre diversos setores, pode haver risco de descasamento entre oferta e demanda. A avaliação é do coordenador de Análises Conjunturais do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, Aloísio Campelo. A instituição divulgou hoje que, em março, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria da transformação ficou em 85,2% (ante 84,7% em fevereiro), no nível mais alto desde dezembro. Além disso, puxado pela forte demanda interna, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) ficou em 121,4 pontos em março, patamar semelhante aos verificados entre julho e novembro de 2007. Campelo explicou que, entre julho e dezembro de 2007, a produção industrial cresceu 3% e, se esse resultado se repetir nesse primeiro semestre, a taxa anualizada ficaria acima de 6%, superior, portanto, ao crescimento potencial do Produto Interno Bruto (PIB), calculado pela FGV entre 4% e 4,5% para este ano, e da própria capacidade da indústria, estimada pela instituição em 5%. "Mas os números da sondagem de março não são definitivos, apenas sinalizam esta situação. Não são indicadores explosivos, mas acendem um sinal amarelo, uma vez que o BC, munido de outros dados macroeconômicos, observa a situação no longo prazo", ponderou.De acordo com Campelo, para que o Brasil cresça 5% de forma sustentável, os investimentos deveriam ser da ordem de 21% do PIB. No ano passado, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) ficou em 17,6%, mas havia uma folga do Nuci e os estoques estavam em nível confortável. No longo prazo, porém, essa situação não teria sustentabilidade, até porque, embora os investimentos estejam crescendo, não chegarão aos 21% necessários neste ano, segundo Campelo.Nesse sentido, diz Campelo, se realmente a indústria retomar os níveis de crescimento do segundo semestre de 2007, para evitar o descasamento entre oferta e demanda, seriam necessárias medidas para conter o consumo. Para isso, ele defende um ajuste de gastos do governo, em vez de medidas para conter o crédito ou movimento de aperto na taxa de juros, como cogita o Banco Central.

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