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FGV: IGP-10 em 12 meses é menor da história

A taxa acumulada em 12 meses do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) até agosto, que registra deflação de 1,04%, foi a menor da história do índice nesse tipo de comparação. O indicador foi criado em 1993. Para o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, o desempenho acumulado do indicador reforça a hipótese de uma taxa anual negativa não só para o IGP-10, como para toda a família dos IGPs em 2009. "Agora vemos que essa possibilidade, de se encerrar o ano com taxas próximas de zero, ou até negativas, tem mais chance acontecer", concluiu.

ALESSANDRA SARAIVA, Agencia Estado

18 de agosto de 2009 | 14h43

Embora não seja usado como indexador de preços, o IGP-10 é visto como uma espécie de "sinalizador" das evoluções das famílias dos IGPs. Quadros lembrou que, desde o início do ano, somente duas taxas mensais do IGP-10 foram positivas; todas as outras apresentaram quedas de preços. Para ele, uma das grandes causas para a grande quantidade de taxas negativas mensais esse ano foi o comportamento dos preços agrícolas, principalmente matérias-primas (commodities), que apresentaram recuos expressivos de preços ao longo de 2009. Além disso, o processo de valorização do real ante o dólar, que ocorreu esse ano, contribuiu para desaceleração em produtos cujos preços estão relacionados, direta ou indiretamente, à cotação da moeda norte-americana.

O especialista comentou que não é impossível uma nova deflação para setembro. Isso porque as commodities agrícolas, que também foram determinantes para a deflação de 0,60% no IGP-10 de agosto, podem continuar a registrar taxa negativa de preços - derrubando novamente a taxa do Índice de Preços por Atacado (IPA), que representa a inflação atacadista e tem participação de 60% no total dos IGPs. "Creio que a recuperação plena da economia mundial, que influencia a recuperação de preços, principalmente das commodities, ainda vai demandar um tempo para ocorrer", disse, comentando que os preços das commodities podem continuar a registrar taxas negativas em setembro.

Deflação

Uma combinação de quedas nos preços dos produtos agropecuários, principalmente commodities, e industriais no atacado levou à deflação de 0,60% no IGP-10 de agosto, na análise de Quadros. Segundo ele, esses dois fatores conduziram a um recuo expressivo nos preços do atacado (-1,04%) no mês, que foi o setor que mais influenciou a taxa negativa mostrada pelo IGP-10 esse mês.

No atacado, um dos segmentos que mais ajudou a derrubar os preços no mês foi o das matérias-primas brutas, cuja deflação passou de 0,54% para 3,03% de julho para agosto. Quadros explicou que, entre os destaques desse tipo de produto, estão as taxas negativas registradas em trigo (-5,19%); laranja (-17,13%); e soja (-5,92%). "A soja e outras commodities estão com uma movimentação de preços muito oscilante esse ano. Nesse momento, estão em queda, e contribuindo para a taxa negativa de preços no atacado", afirmou.

Entre os produtos industriais cuja movimentação de preços contribuiu para a queda do IGP-10 em agosto está o minério de ferro, cuja deflação passou de 3,33% para 7,03%. O técnico da FGV lembrou que esse produto sofre ajustes em seu preço nessa época do ano e que, devido à demanda externa ainda fraca, o reajuste foi negativo.

Ainda dentro do atacado, o segmento de bens intermediários mostrou uma "surpresa" no sub-item materiais para manufatura, cuja deflação enfraqueceu (de -1,09% para -0,10%). Quadros lembrou que esse tipo de produto é muito sensível às oscilações do câmbio. A valorização do real ante o dólar já foi mais intensa, e um cenário de dólar mais fraco pode ter contribuído para reduzir o ritmo de queda de preços nestes tipos de produto

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