FGV: IGP-M deve recuar para patamar de 4% em 2008

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) trabalha com a expectativa de que o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) não deverá repetir em 2008 a forte variação, de 7,75%, acumulada em 2007. O coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, disse que o indicador tende a apresentar uma taxa mais próxima de 4%.Na manhã desta quinta-feira, a FGV informou que o IGP-M subiu 1,76% em dezembro, ante aumento de 0,69% em novembro. O resultado representou a maior taxa mensal desde fevereiro de 2003, quando subiu 2,28%. O resultado contribuiu para que o índice fechasse 2007 com uma variação acumulada de 7,75%, mais do que o dobro da observada em 2006, quando atingiu 3,83%."O índice deverá mostrar uma desaceleração no ano que vem. Não quero arriscar e fazer uma projeção numérica, mas, em termos de tendência, o IGP-M e os demais IGPs devem captar taxas menores em 2008, mais próximas de 4%", afirmou. De acordo com o coordenador, grande parte do que foi observado no IGP-M na reta final do segundo semestre deste ano teve influência dos preços agropecuários do atacado, principalmente, os que têm ligação com o valor das commodities internacionais. Segundo ele, apesar de fatores sazonais ou climáticos internos, como a alta de preços da carne bovina e do feijão, por exemplo, há uma participação determinante do setor externo, por conta dos preços de itens, como a soja e o milho, que acumularam altas expressivas de 38,71% e 51,27%, respectivamente.Para 2008, Quadros lembrou que a própria expectativa de menor crescimento para a economia norte-americana poderá trazer impactos nas demais economias do globo. Com um consumo menor da população dos Estados Unidos, inclusive de alimentos, os preços das commodities, segundo ele, poderiam ter uma valorização menor.Em contrapartida, ele espera que os preços ao consumidor no Brasil subam um pouco mais em 2008 e que se transformem na outra ponta do "cabo-de-guerra" formador da inflação medida pela FGV. Em 2007, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que compõe o IGP-M e representa 30% do indicador, acumulou alta de 4,64%, pouco acima da metade da taxa captada pelo IPA. "No curto prazo, por exemplo, há uma expectativa de elevação ainda da alimentação. No início de cada ano, é normal uma alta nos preços dos in natura", lembrou. "Além disso, durante o próximo ano, aguardamos uma pressão um pouco maior dos preços administrados e uma colaboração menor do câmbio para a inflação", destacou.

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