FGV: IGP-M revela cenário 'tranquilo' para inflação

Os dados da segunda prévia do Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) de julho confirmam um início de segundo semestre "bem mais tranquilo para a inflação", em relação aos seis primeiros meses de 2010, segundo observou hoje o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. Segundo ele, os resultados apurados no atacado mostram que "a diminuição dos preços ao consumidor não é tão momentânea assim".

JACQUELINE FARID, Agencia Estado

20 de julho de 2010 | 12h04

Hoje, a FGV informou que o IGP-M registrou variação de 0,03% na segunda prévia de julho, ante 1,06% em igual período do mês anterior. Para Quadros, a queda no atacado do item materiais para manufatura - que recuou 0,32% na segunda prévia, ante alta de 1,02% em igual prévia de junho - foi o destaque do índice. "Esse dado mexe com a perspectiva futura de inflação, pois diminui a necessidade de repasse", explicou. "Essa é a melhor notícia do IGP-M na segunda prévia, por causa da perspectiva de uma inflação ao consumidor mais suavizada." O item integra o grupo dos bens intermediários, cuja variação desacelerou para 0,02% na prévia divulgada hoje, ante 0,88% em igual prévia do mês passado.

"Nesse momento em que os preços ao consumidor estão com dinâmica mais favorável, esses dados mostram que a desaceleração na inflação não ocorre apenas em produtos com efeitos sazonais, como alimentos in natura, com influências mais passageiras, mas há também impactos de queda um pouco mais duradouros, no atacado", disse Quadros. Segundo ele, além do ritmo cada vez menor de reajustes nos bens intermediários, a queda do Índice de Preços por Atacado - Mercado (IPA-M), de 0,01% na segunda prévia de julho, reflete o recuo nos preços do minério de ferro (queda de 0,73%).

Apesar de destacar o cenário benigno para a inflação, Quadros lembra que há também um foco importante de aumento de preços no atacado, ligado à aceleração dos reajustes das carnes. Com a proximidade da entressafra e as boas perspectivas de exportação, a carne bovina subiu, no atacado, 4,43% na segunda prévia de julho, ante queda de 0,44% em igual período do mês anterior.

Em relação ao Índice Nacional do Custo da Construção - Mercado (INCC-M), que registrou alta de 0,72% na prévia divulgada hoje, ante 2,09% na anterior, Quadros explica que a desaceleração ocorreu por causa do menor ritmo de reajustes em materiais e equipamentos e mão de obra. Porém, ele ressalta que não se deve esperar variações muito baixas neste indicador, já que o setor de construção civil está muito aquecido.

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