FGV: IGP não indica tendência de inflação acima de 1%

A taxa elevada de 1,52% do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) de maio foi "um pico" e não deve indicar sinalização de trajetória dos IGPs acima de 1% a longo prazo. "Não podemos dizer que essas elevações de preços de agora começarão a se espalhar por outros setores. Acho que (a taxa do IGP-10) é um pico, e a curva da trajetória do índice deve ser de recuo, mas gradativo", afirmou o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. Entretanto, o resultado indica patamares elevados para os próximos IGPs a serem anunciados em maio, como o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) e o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que devem ter taxas próximas a 1,5%, avaliou o economista. Quadros lembrou ainda que os próximos IGPs a serem divulgados, referentes a maio, também contarão com um fator extra: o maior impacto do recente aumento no preço do óleo diesel, em vigor desde o início de maio. O IGP-10 captou apenas uma pequena parte desse impacto, que atingirá seu auge no IGP-DI de maio.O economista admitiu que resultados elevados como este indicam que o Banco Central pode continuar a elevar a taxa básica de juros (Selic). "Acho que os juros vão continuar a subir, porque é a forma de enfrentar pressões inflacionárias oriundas de várias fontes diferentes", disse. Ele disse que o resultado do IGP-10 mostra, mais uma vez, que as elevações de preços "não estão mais concentradas somente nos alimentos, e estão se originando de outros setores".

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