FGV: indústria mostra acomodação do crescimento

Os dados da indústria dão sinais de que há uma acomodação no ritmo de crescimento registrado nos últimos meses, mas em um patamar bastante elevado. Apesar disso, os empresários mostram incertezas e uma percepção de que, até o fim deste ano, a situação dos negócios poderá piorar em função do aumento dos juros e da valorização do real.É o que indica a Sondagem Conjuntural da Indústria da Transformação, divulgada hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os dados do mês de junho mostram que o Índice de Confiança da Indústria (ICI) continua elevado, em 121,8 pontos, próximo dos níveis registrados no fim do ano passado - foram 123,4 pontos em outubro.Há otimismo tanto em relação à situação atual quanto às expectativas para os próximos três meses. "A indústria brasileira está em seu ciclo de crescimento mais longo desde a década de 1970, com crescimento praticamente ininterrupto desde junho de 2003", disse o coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV, Aloísio Campelo. No mês, o ICI subiu 0,8 ponto, dos quais 0,65 estão relacionados às indústrias alimentícia (commodities, soja e açúcar e álcool) e química (fertilizantes).A pesquisa da FGV é composta por perguntas objetivas, tais como demanda, produção e emprego, e analíticas, mais ligadas ao sentimento do empresariado. Campelo explicou que os resultados continuam fortes nas questões relacionadas a variáveis objetivas, mas que os assuntos ligados ao sentimento em relação ao futuro começam a perder força.Como exemplo, os empresários acreditam que a produção e o emprego devem aumentar nos próximos três meses, mas na medição do índice da situação dos negócios nos próximos três meses, 9% dos empresários acreditam que deve haver piora, o maior resultado desde outubro de 2006 (10%). De acordo com Campelo, trata-se de uma reação da indústria ao aumento da taxa de juros e à valorização do real.

ANNE WARTH, Agencia Estado

30 de junho de 2008 | 18h02

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