FGV: inflação ao idoso em 2007 foi a maior em 2 anos

A inflação entre a população idosa (acima de 60 anos) registrou, no ano de 2007, o mais elevado patamar em dois anos. A informação é do economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz. Hoje, a fundação anunciou o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), que subiu 5,04% no ano passado - a mais forte alta desde 2004, quando o indicador subiu 6,58%.O economista lembrou que os preços dos alimentos "dispararam" no ano passado, principalmente no segundo semestre de 2007. Safras ruins, problemas climáticos prejudicando a oferta de itens agrícolas e forte demanda por alimentos - tanto no mercado interno quanto externo - foram os fatores que fizeram com que os preços dos alimentos ficassem mais caros no ano passado. Esse cenário, sentido por todos os consumidores brasileiros, de uma maneira geral, teve um impacto profundo no orçamento familiar do idoso. "O grupo alimentação é o que mais pesa no cálculo do IPC-3i", disse, explicando que os idosos gastam mais com alimentos do que a média da população, em todas as faixas etárias. Entre os alimentos, o destaque de elevação de preços ficou por conta do feijão carioquinha, que subiu 128,48% no ano passado, no âmbito do IPC-3i.Por isso, a inflação entre os idosos também encerrou o ano de 2007 com taxa acima da registrada pelo IPC-BR, que mede a inflação no varejo em todas as faixas etárias e subiu 4,60% no mesmo período. Isso não é um fenômeno novo. A FGV, ao divulgar seus resultados anuais para o IPC-3i, também detecta um patamar mais elevado de inflação entre a população idosa, em comparação com a média de consumidores em todas as faixas etárias. Segundo Braz, de 2001 para 2007, o IPC-3i acumula elevação de 64,13%; no mesmo período, o IPC-BR registra elevação de 56,97%.Entretanto, ao se analisar a movimentação de preços entre os produtos, no âmbito do IPC-3i, o destaque ficou por conta da elevação em plano e seguro saúde (6,95%), produto que mais influenciou a composição da inflação dos idosos em 2007. "Esse item pesa muito no índice, porque os idosos dispensam grande parte do seu orçamento para pagar os planos", afirmou.

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