FGV: preços no varejo vão começar 2008 em alta

A inflação no varejo em 2008 deve começar o ano "bem pressionada" para cima, na análise do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. De acordo com o economista, há pressões de elevações de preços no atacado que ainda persistirão quando o próximo ano chegar - e essa pressão também será sentida pelo consumidor."Não podemos dizer que, ao final de 2007, todas as pressões de elevação de preços no atacado também acabarão, quando o ano terminar. Tem muito aumento de preço que não foi repassado ainda para o varejo, mas será", afirmou. "Essas ondas de elevação de preços no atacado não vão se desfazer repentinamente, com facilidade", completou, acrescentando não esperar "alívio imediato" na pressão de preços quando o ano de 2008 começar.Produtos agropecuáriosCom alta de 5,56%, os preços dos produtos agropecuários no atacado atingiram, na segunda prévia do IGP-M de dezembro, o maior patamar de elevação desde a segunda prévia do índice em novembro de 2002, quando os preços dos produtos agropecuários subiram 6,85%.De acordo com Quadros, o comportamento dos preços dos produtos agropecuários foi o principal fator que levou à alta de 1,54% da segunda prévia do IGP-M de dezembro - acima das projeções do mercado financeiro e bem superior à registrada em igual prévia do mesmo índice em novembro (0,48%). "A pressão de elevação dos preços dos produtos agrícolas no atacado está muito forte. Isso era perceptível na apuração da primeira prévia (do IGP-M de dezembro)", observou. "Mas possivelmente, estamos vendo uma pressão de alta muito mais forte do que o esperado", afirmou.Ele lembrou que, em 2002, os motivos que levaram à uma movimentação de alta de preços intensa nos preços dos produtos agropecuários estava relacionada basicamente ao câmbio. Naquele ano, houve forte desvalorização do real ante o dólar. Este ano, as causas são bem diferentes. O economista voltou a citar os fatores que levaram à essa disparada dos preços dos produtos agrícolas no atacado: entressafra e choque de oferta.Ele observou que muitos produtos importantes no cálculo da inflação do atacado estão no período de entressafra, quando sua oferta é reduzida no mercado interno. É o caso dos bovinos, por exemplo. Quanto ao choque de oferta, o economista lembrou que muitos produtos, principalmente grãos, estão passando atualmente por uma "mudança no patamar de elevação" de preços. Na prática, isso significa que a oferta e a demanda mundial de vários produtos agrícolas estão passando por uma espécie de ajuste, no qual a oferta tenta se adequar à crescente demanda por alimentos. "Isso não é algo que acontece só no Brasil. A inflação dos alimentos é um fato também para outros países", afirmou.

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