FGV prevê desaceleração do PIB no 4º trimestre

Expectativa é que o PIB avance 1% no 3º trimestre, mas perca fôlego e cresça 0,7% nos três últimos meses do ano 

Fernanda Nunes, da Agência Estado,

23 de novembro de 2012 | 11h18

O Produto Interno Bruto (PIB) de 2012 é projetado em 1,3% pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). Para alcançar esse resultado, o crescimento no terceiro trimestre deve ser de 1%, o que representará um avanço em comparação ao segundo trimestre, que obteve alta de 0,4%. O cálculo considera a relação com o trimestre imediatamente anterior. Para o quarto trimestre, no entanto, a expectativa é de desaceleração, com PIB de 0,7%, influenciado, sobretudo, por uma queda do investimento.

A projeção é mais pessimista que a anunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta sexta-feira. Mantega previu que a economia brasileira deve ter crescimento de 1,2% no terceiro trimestre de 2012 e de 1,1% no quatro trimestre deste ano.

"A melhora do desempenho no terceiro trimestre foi em parte fruto do bom desempenho da indústria. O setor de duráveis se destacou. Mas não acredito que o desempenho será o mesmo no quarto trimestre. Além disso, mesmo no terceiro trimestre, não houve difusão do crescimento entre os segmentos da indústria", afirmou a economista Silvia Mattos, do Ibre/FGV, em seminário no Rio sobre as perspectivas para 2013.

Para o próximo ano, a expectativa é que o Banco Central mantenha o controle da taxa básica de juros enquanto a inflação estiver no intervalo da meta. "Não esperamos que a inflação no ano que vem estoure o teto da meta", destacou Silvia. A expectativa para a inflação no próximo ano é de 5,7%, tendo como base o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE). "É um cenário de inflação resistente." A meta oficial de inflação para 2013 é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo.

Em 2013, o governo federal deverá aumentar o investimento. "Será difícil o governo cumprir a meta de superávit primário no ano que vem". Por enquanto, o que prevalece na gestão de Dilma Rousseff é o crescimento da despesa do governo que não está diretamente relacionada a investimento. "É um cenário de déficit nominal ainda elevado com resultado de superávit mais baixo", ressaltou a economista

A projeção do Ibre/FGV é que o investimento cresça 8,6% no próximo ano. "De qualquer forma, olhando o triênio de Dilma, o investimento é a variável chave para a desaceleração do crescimento no Brasil", avaliou Silvia.

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