FGV prevê inflação ainda maior no varejo

A inflação no varejo acelerou, na passagem da segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de dezembro para igual prévia em janeiro, de 0,81% para 0,85%. E para o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, o indicador "deve acelerar ainda mais" nas próximas apurações dos Índices Gerais de Preços (IGPs). A inflação do varejo na segunda prévia deste mês do IGP-M foi a mais intensa desde abril de 2003, quando atingiu 1,17%.

ALESSANDRA SARAIVA, Agencia Estado

19 de janeiro de 2011 | 11h41

"É importante lembrar que a segunda prévia de janeiro só vai até o dia 10 deste mês. Muitos dos preços que estão subindo em janeiro ainda não foram completamente captados pelo IGP-M", lembrou o especialista. Entre as elevações que ainda devem aparecer com mais força no indicador estão os reajustes já anunciados em mensalidades escolares e tarifas de ônibus.

Além disso, o especialista lembrou que os preços dos alimentos in natura estão subindo no atacado. Isso deve ser repassado em algum momento para o varejo, na avaliação do analista. Da segunda prévia de dezembro para a segunda prévia de janeiro, a inflação dos alimentos sentida pelo consumidor perdeu força, passando de 1,66% para 1,33%. "Esta desaceleração (nos preços dos alimentos) não deve continuar por muito tempo", avaliou.

Matérias-primas

A perda de força da inflação das matérias-primas brutas no atacado (de 1,34% para 1,03%) foi a principal contribuição para a desaceleração do IGP-M na segunda prévia de janeiro. A taxa geral de inflação recuou de 0,75% na segunda prévia de dezembro para 0,63% em igual período de janeiro, informou mais cedo a FGV.

Segundo Quadros, no atacado o aumento das matérias-primas agropecuárias passou de 2,29% para 1,46% de dezembro para janeiro. No mesmo período, a inflação dos materiais para manufaturas diminuiu de 1,65% para 0,71%. "No atacado, não foi um movimento de desaceleração de preços concentrado apenas no setor agropecuário", disse. Ele acrescentou que os sinais de inflação mais fraca, ou até mesmo queda de preços, foram mais "espalhados" no setor atacadista, entre a segunda prévia de dezembro e a segunda prévia de janeiro.

Mas o especialista fez uma ressalva. A desaceleração da inflação atacadista, que representa 60% do IGP-M, poderia ter sido mais intensa, não fosse o comportamento dos alimentos in natura, cujos preços estão caindo menos (de -8,68% para -0,45%). Quadros lembrou que o começo do ano sempre conta com um aumento mais forte nos preços dos alimentos in natura, devido à oferta, que é prejudicada por problemas climáticos.

"O que tivemos no atacado, na segunda prévia de janeiro, foi uma ''queda de braço''. De um lado, os preços das matérias-primas agropecuárias e dos materiais para manufatura contribuindo para uma taxa menor. Do outro lado, os alimentos in natura com acréscimo em sua taxa de variação de preços, puxando o resultado para cima", resumiu o especialista.

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