FGV prevê que outros IGPs também terão deflação

A queda histórica de 1,68% do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) em 2009 sinaliza resultados de deflação anual também para os outros IGPs deste ano, como o IGP-DI e o IGP-M, que devem encerrar pela primeira vez em queda. A avaliação é do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. "Neste momento, não há a menor dúvida de que eles (o IGP-DI e o IGP-M) também vão encerrar o ano em deflação", disse.

ALESSANDRA SARAIVA, Agencia Estado

17 de dezembro de 2009 | 14h06

Os IGPs negativos deste ano devem colaborar para que os preços administrados subam menos no ano que vem. Isso porque as taxas acumuladas destes indicadores ainda são usadas para auxiliar o cálculo de tarifas e preços administrados, embora não sejam mais indexadores. Para 2010, o coordenador da FGV comenta que a meta inflacionária de 4,5% é factível e que, atualmente, não vê motivos para elevação de juros básicos da economia (taxa Selic). "Não temos razão para temer uma explosão inflacionária", afirmou.

Na avaliação do técnico, é preciso monitorar o cenário de movimentação de preços nos próximos três meses. Para ele, uma inflação de demanda, causada por um aquecimento no mercado doméstico e uma retomada mais robusta no ritmo de crescimento econômico, é uma possibilidade que não pode ser descartada - mas não é uma certeza. Ele comentou que é preciso ver qual será o ritmo da velocidade da retomada de crescimento econômico no ano que vem. Isso vai determinar se ocorrerá uma inflação de demanda ou não nos preços do mercado doméstico em 2010.

A queda de 0,07% no IGP-10 de dezembro não representa o início de um novo ciclo de deflações mensais nos IGPs, calculados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com Salomão Quadros, a taxa negativa do índice foi provocada basicamente por quedas de preços espalhadas no atacado, que tem fatia de 60% no total do cálculo do indicador. "Se dependesse da evolução de preços no varejo e na construção civil, o IGP-10 teria registrado taxa positiva", disse.

Para Quadros, as quedas de preços no atacado em dezembro foram espalhadas, mas não generalizadas. "Não posso dizer que estamos em tendência de deflação", afirmou. Para ele, o cenário de preços atualmente é muito diferente do ambiente que levou a uma sequência de taxas negativas mensais nos IGPs, em meados de 2009. "A deflação, em última análise, foi consequência de uma crise econômica. A influência do cenário internacional nos preços no mercado brasileiro não é uma coisa desprezível", disse, acrescentando que vários preços internacionais, como commodities industriais por exemplo, foram derrubados por conta da crise - e isso teve impacto no cenário brasileiro ao longo de 2009.

"Não há razão macroeconômica para um retorno a uma tendência de deflação. A deflação que ocorreu em meados deste ano foi causada basicamente por um ambiente recessivo", disse, notando que as perspectivas para a economia brasileira são de retomada de crescimento nos próximos meses.

Varejo

A alta de preços no varejo está muito concentrada nos preços dos alimentos in natura, segundo o coordenador de Análises Econômicas da fundação. O indicador do varejo avançou de 0,02% para 0,28% de novembro para dezembro. No período, os alimentos saíram de uma deflação de 0,75% para um avanço de 0,36%. "Cerca de 90% desta taxa de inflação dos alimentos é originada de frutas, que passaram de uma queda de 6,68% para um avanço de 4,97%", comentou o especialista.

O destaque absoluto de aumento de preços entre os alimentos in natura foi o mamão da Amazônia (papaia), que saiu de uma deflação de 24,73% para uma alta de 27,10%. "A alta nos preços das frutas foi basicamente concentrada no mamão", disse Quadros, lembrando que os preços dos produtos in natura são muito voláteis e suscetíveis às variações do clima. "É preciso dizer que isso, essa elevação nos preços dos alimentos no varejo, tem todas as características de ser passageira", afirmou.

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