FGV prevê reversão no emprego no segundo semestre

Parte da piora no mercado de trabalho se deve ao ritmo mais fraco da economia

Vinicius Neder, da Agência Estado,

12 de agosto de 2013 | 11h41

RIO DE JANEIRO - Mesmo que a taxa de desemprego média encerre 2013 em nível parecido com o de 2012, a "perspectiva para o mercado de trabalho para o fim deste ano está bem pior", avaliou, nesta segunda-feira, 12, o pesquisador da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Fernando de Holanda Barbosa Filho.

Para o economista, após sucessivos recordes de baixa no desemprego, houve uma reversão de tendência. Mais cedo, o Ibre/FGV informou que o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) recuou 5,7% em julho, maior queda desde novembro de 2008 (-18,7%), auge da crise financeira mundial. Já o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) cresceu 7,2% em julho ante junho, maior alta da série histórica do índice, iniciada em novembro de 2005.

Na avaliação de Barbosa Filho, parte da piora do mercado de trabalho é natural, numa "economia que gerou muito emprego durante muito tempo", mas parte se deve a uma deterioração, por causa da fraca atividade econômica. As expectativas guiaram o cenário menos vantajoso. "Temos mais um ano de frustração de expectativas de crescimento".

Além disso, os índices de expectativa do consumidor foram afetados pelas manifestações populares que tomaram o País a partir de junho. O recorde de variação negativa do ICD pode ter sido exagerado por isso. "Houve manifestações antigoverno com mercado de trabalho bom. A má notícia para o governo é que o desemprego vai aumentar", completou Barbosa Filho.

Uma elevação mais forte do desemprego, porém, deverá ficar para 2014. "A condição demográfica colabora. Então o aumento do desemprego não será tão elevado quanto seria há dez anos", disse Barbosa Filho.

Por outro lado, um mercado de trabalho menos apertado é bom para o Banco Central (BC), em sua tarefa de controlar a inflação. A tendência é os reajustes reais de salários serem mais comedidos. "O empregador ainda não está dando as cartas, mas o poder de barganha do trabalhador se reduz", resumiu Barbosa Filho. Ainda assim, o pesquisador espera um impacto maior da elevação da taxa de juros pelo BC ao longo do segundo semestre.

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