FGV revisa para 3,6% a previsão de queda do PIB em 2015

Previsão anterior era de recuo de 3,3%, mas foi alterada por causa da forte queda no consumo das famílias, que afeta o setor de serviços

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2015 | 20h48

O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) revisou sua projeção para a retração do Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 para 3,6%, ante -3,3%, conforme era a estimativa antes de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar os dados sobre o terceiro trimestre. “Em meados de 2016, o PIB em quatro trimestres pode estar rodando em torno de retração de 4%”, afirmou Silvia Matos, pesquisadora do Ibre/FGV e coordenadora do Boletim Macro Ibre, que divulgou as projeções em seminário no Rio.

Para 2016, a instituição manteve a projeção de retração de 3,0%. “Se não tiver crescimento na margem, seria já uma retração de 2%”, completou Silvia, referindo-se ao carregamento estatístico. Segundo a pesquisadora, as revisões deveram-se ao desempenho do setor de serviços. “É um setor que emprega muito”, disse.

Além disso, a piora no desempenho do setor de serviços, em 2015 e para 2016, deve-se ao consumo das famílias. “O consumo das famílias cresceu 1,3% em 2014, mesmo com estagnação”, lembrou Silvia. O Ibre/FGV projeta recuo de 3,7% no consumo das famílias este ano e retração de 3,6% em 2016.

Apesar do desempenho muito ruim da economia até aqui, na visão de Silvia, o custo social da recessão ficará mais para 2016 e se dará por meio do mercado de trabalho. O Ibre/FGV projeta que a taxa de desemprego média passará de 8,5% neste ano para 11,7% em 2016, com cerca de 2 milhões de pessoas perdendo o emprego. Com isso, a massa total de renda encolheria 3,5% no próximo ano.

Já para a inflação, o Ibre/FGV projeta IPCA de 2016 em 7,4%, ante os 10,5% esperados para este ano. Nas estimativas da entidade, os preços administrados, que fomentaram a inflação este ano, seguirão pressionando e variarão em 8,5% em 2016.

Para Salomão Quadros, superintendente adjunto de Preços do Ibre/FGV, existe risco de novos reajustes na conta de luz: “Mesmo que a gente passe para a bandeira verde, o setor elétrico tem enormes passivos e há impacto cambial, já que a energia de Itaipu é dolarizada”, disse. 

Focus. Pelo Relatório de Mercado Focus, divulgado pelo BC, a Selic passará dos atuais 14,25% ao ano para 14,75% ao ano daqui a três meses. O novo quadro das cerca de 120 instituições financeiras consultadas semanalmente pela autoridade monetária prevê que a taxa básica poderá chegar até a 15,25% ao ano em junho e julho, para só depois voltar a cair. Para o encerramento de 2016, as apostas estão divididas entre juro de 14,50% e de 14,75% ao ano, ao mostrar taxa de 14,63% ao ano.

O mercado aumentou suas projeções para a taxa também dos próximos anos. No fim de 2017, deve estar em 12,00% ao ano, maior do que a previsão anterior de 11,75% ao ano./COLABOROU CÉLIA FROUFE

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