FGV: temor de inflação derruba confiança do consumidor

O temor por juros maiores, em um cenário de inflação mais alta, deixou o consumidor mais cauteloso quanto às compras de bens duráveis no futuro - o que derrubou o Índice de Expectativas (-7,5%), principal influência na queda de 7% do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em abril ante março. A informação é do coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Aloísio Campelo.Segundo ele, se o consumidor está sentindo a possibilidade de juros mais elevados no futuro, é possível que ele pense duas vezes antes de comprar a prazo. "Não é certo dizer que ele, o consumidor, vai parar de fazer compras de bens duráveis. Não é isso que queremos dizer. O que sentimos, pela pesquisa, é que ele pode comprar menos do que pretendia, porque está mais cauteloso", explicou o economista.Outro fator apontado por Campelo foi a cautela do consumidor quanto aos rumos futuros da economia. Na avaliação do economista, entre os entrevistados há uma incerteza se a economia conseguirá não desacelerar, nos próximos meses, tendo em vista o cenário interno e também externo - afetado pelas notícias da economia americana.Campelo comentou que, apesar da queda na taxa do ICC, o cenário de abril para o consumidor não pode ser considerado de pessimismo e sim de "otimismo moderado". Isso porque indicadores como situação financeira das famílias e respostas sobre o mercado de trabalho não estão tão ruins, na análise dele. Além disso, Campelo observou que em 2008 o índice tem apresentado trajetória "oscilante". "Só para lembrar, no mês passado, o ICC subiu 3,5%, e agora registra uma queda de 7%", disse.AlimentosO coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV explicou que, de março para abril, a estimativa do consumidor de inflação para os próximos 12 meses subiu de 5,9% para 6,3%. O cenário de alimentos mais caros pode ter ajudado o consumidor a elevar sua percepção sobre inflação. "A movimentação de preços do grupo alimentação pode ter sido a causa dessa preocupação maior com inflação. Aliás, essa preocupação não foi encontrada somente entre as faixas de renda mais baixas, mas em todas as faixas pesquisadas", informou Campelo.Além disso, de março para abril, subiu de 26,2% para 37,5% a parcela dos entrevistados que apostam em juros mais altos nos próximos meses. "Esse porcentual é o mais elevado da série histórica do ICC, desde setembro de 2005", acrescentou o economista. No mesmo período, caiu de 14,8% para 12,9% a parcela de pesquisados que apostam em juros mais baixos nos próximos meses.

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