FGV vê alta de 0,85% no PIB no trimestre

Prévia do resultado oficial mostra que a economia cresceu no período de agosto a outubro, mas perdeu força no resultado acumulado em 12 meses

IDIANA TOMAZELLI, O Estado de S.Paulo

11 Dezembro 2014 | 02h05

A atividade econômica cresceu 0,85% no trimestre encerrado em outubro em relação ao período de maio a julho, mas continuou perdendo ritmo no acumulado em 12 meses, estima o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), que calcula o Monitor do PIB.

O indicador faz um acompanhamento mensal na tentativa de antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), indicador mais importante da economia. O crescimento em 12 meses desacelerou de 0,7% até setembro para 0,4% até outubro, aponta o Monitor, seguindo a trajetória de desaceleração desde o início do ano. Os dados são divulgados com exclusividade ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

"O que chama a atenção é que, por mais que se tenha um resultado positivo agora, a tendência para o ano é bem ruim. De fato, o resultado caminha para zero", disse o economista Claudio Considera, pesquisador associado da FGV e responsável pelo Monitor. "O resultado na ponta não garante que economia já voltou a crescer", acrescentou ele, que já chefiou a Coordenação de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial do PIB.

No terceiro trimestre, a economia avançou 0,1% ante o segundo, informou o IBGE. O resultado interrompeu a sequência de duas quedas no primeiro semestre, que caracterizava, segundo economistas, uma "recessão técnica". O órgão classificou os dados do terceiro trimestre como "estabilidade".

No mais recente Boletim Focus, a mediana das estimativas do mercado para o PIB de 2014 ficou em 0,18%, segundo o Banco Central. Os dados apontados pelo Monitor corroboram essas projeções. Nos últimos 12 meses, a indústria figura como destaque negativo, com perda de 1,1% até outubro, segundo o Monitor.

No trimestre até outubro, porém, a atividade produtiva contribuiu para tirar a economia do vermelho. A indústria cresceu 2,48% sobre o período de maio a julho, beneficiada principalmente por construção e setor extrativo. "Mas isso tudo tem a ver com períodos (anteriores) muito ruins", notou Considera.

Os serviços, que respondem por cerca de dois terços da renda gerada no País, também melhoraram no trimestre até outubro, com alta de 0,31% ante o período de maio a julho. Todos os segmentos ficaram no azul, mas comércio e transportes foram os principais motores dessa aceleração.

A agropecuária, no entanto, manteve resultado negativo, com queda de 1,78% entre agosto e outubro em relação aos três meses anteriores. No terceiro trimestre, a economia do campo já havia exibido retração de 1,9% ante o segundo trimestre.

Perdas ante 2013. Na comparação com o ano passado, a economia continua perdendo ritmo. A queda se intensificou no trimestre até outubro, de 0,5% em relação a igual período de 2013, apontou o Monitor. No terceiro trimestre, segundo o IBGE, a queda foi de 0,2%.

O resultado negativo é puxado apenas pela indústria, que teve retração de 1,9% nos três meses até outubro em relação a igual período do ano passado. Enquanto isso, houve crescimento nessa base de comparação de serviços e agropecuária, ambos com 0,4%.

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