FHC admite estar "conversando" com FMI

O presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu que o governo brasileiro está "conversando" com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre uma eventual ajuda financeira ao País, mas negou haver negociações formais em andamento. "Não é que estejamos negociando, no mundo de hoje estamos sempre conversando", disse ele, ao final da 2ª Reunião de Presidentes da América do Sul, em Guaiaquil, no Equador. Segundo Fernando Henrique, o governo deverá ter uma posição mais clara esta semana sobre a necessidade de recorrer novamente ao fundo - o atual acordo termina em dezembro. "No curso dessa próxima semana, espero que possamos ter mais calma para ver realmente o que nós precisamos", afirmou.Cauteloso ao tratar do assunto, ele comentou que o governo mantém contato constante com o FMI. "É uma avaliação que é de todos os lados e, no momento que nós acharmos todos, em conjunto, que é necessário (um novo acordo), sim", disse. "Mas não marque uma data não, porque senão o mercado, eu não sei bem baseado no que, vai dizer: ´Olha, o presidente anunciou que na próxima semana...´ e aí tem uma decepção com ele próprio. E quem paga é o povo."Fernando Henrique criticou a reação negativa do mercado ontem a uma entrevista do ministro da Fazenda, Pedro Malan. "É o famoso nervosismo do mercado, que imaginou que o Malan fosse fazer algum anúncio espetacular", comentou. "Negociações existem, haverá que levar adiante, mas não se faz uma negociação dessas assim, de repente, sem mais. Esperavam que o Malan fizesse um aviso que é impossível."O presidente disse desconhecer qualquer negociação de valor para um eventual empréstimo do fundo. "Que eu saiba, até hoje não houve nenhuma negociação no sentido preciso da palavra", disse. Ele reafirmou que o Brasil tem apoio na comunidade financeira internacional. "Não interessa a nenhum setor sério do mundo que a economia brasileira sofra um desaguisado (desordem) pelo qual ela não é responsável."Ele enfatizou que os fundamentos da economia estão firmes, lembrando que o País dispõe de US$ 40 bilhões em reservas. Fernando Henrique provocou os operadores do mercado financeiro, dizendo que precisam controlar seu "ataque de nervos". "Temos reserva de sobra, não temos nenhuma asfixia. Neste momento, há uma espécie de falta de ar dos que operam naqueles computadores do mercado e dos analistas, que estão lá longe, e que fazem análise de risco", disse.O presidente reafirmou que o governo mantém contato constante com organismos financeiros e o próprio FMI. "Evidentemente todos os dias nós conversamos, inclusive com o Fundo Monetário, para botar o preto no branco", contou. "O FMI e os bancos centrais dos países mais ricos estão todos apoiando o brasil. Não depende deles algum socorro eventual, depende de nós acharmos que é necessário. Isso é uma avaliação que se está fazendo."

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