FHC defende mecanismo para controlar o mercado

O presidente Fernando Henrique Cardoso criticou hoje o comportamento dos mercados financeiros e a falta de instituições mundiais capazes de controlar esses mercados. Em tom de desabafo, ao discursar em espanhol na abertura da II Reunião de Presidentes da América do Sul, em Guayaquil, no Equador, Fernando Henrique disse que está há 10 anos no governo (como presidente e antes como ministro da Fazenda) esforçando-se para reconstruir o Estado e honrar contratos.Mas apesar disso, lamentou o comportamento dos mercados financeiros não leva isso em conta. "Começam a desconfiar que a despeito de todo o melhor, no futuro não vai ser assim e fazem com que sua profecia se autocumpra, porque começam a atuar em antecipação ao que não sabem o que será", disse. O presidente condenou também a falta de "mecanismos capazes de contrabalançar certas pressões que vêem do mercado financeiro e que destroem, em pouco tempo, o que se levou anos para construir". Fernando Henrique criticou o G-8, afirmando ter a sensação de que esse diretório se reúne para validar o que um só poder decidiu. Enfatizando que o mundo atual é marcado pelo unilateralismo, o presidente lamentou a falta de eficácia no papel da ONU e voltou a criticar o protecionismo comercial dos países desenvolvidos.Ele lembrou que o Mercosul quer a aproximação com a União Européia, mas enfrenta entraves de todo o tipo. Em relação a Alca, o presidente voltou a dizer que os sinais emitidos pelos governos mais importantes do Norte, não são de abertura, mas de restrição. "Se fala de integração e se pratica a exclusão. Se fala de integração, mas se põe à margem os produtos que interessam efetivamente os países em desenvolvimento", disse. O presidente participa ainda hoje de encontro fechado com os presidente sul-americanos.

Agencia Estado,

26 de julho de 2002 | 14h18

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