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FHC discorda da avaliação de que Lula passou no teste da crise

Para ex-presidente, governo demorou para adotar medidas e, agora, 'espaço para medidas não é muito grande'

Jair Rattner,

07 de maio de 2009 | 16h06

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso discorda da avaliação positiva feita na quarta-feira, 6, pelo ex-ministro das Comunicações de seu governo Luiz Carlos Mendonça de Barros sobre a atuação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva frente à crise financeira global. "Primeiro, o governo minimizou a crise, acho que como uma jogada política. Mas depois se assustou com a crise e adotou algumas medidas na área fiscal e ações para agilizar os empréstimos, para tentar contrabalançar. Entretanto, não tomou as medidas mais sérias na área fiscal. Agora, o espaço para fazer essas medidas não é muito grande, porque os gastos são elevados e a arrecadação é decadente." Na quarta-feira, 6, Mendonça de Barros disse que o País vive um momento extraordinário e passou no teste da crise internacional.

 

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As afirmações foram feitas nesta quinta-feira, 7, pelo ex-presidente FHC, em entrevista à Agência Estado, antes de participar da Conferência do Estoril sobre globalização, em Portugal. Na entrevista, o ex-presidente tucano disse também que os gastos que o governo Lula está fazendo este ano, vão começar a ser pagos já em 2010: "O resultado disso vai ser sentido no próximo ano. A situação fiscal está ficando mais apertada. Claro que a economia não é uma ciência exata, as coisas podem acontecer. De repente tem uma recuperação mais rápida da economia mundial. Mas é um risco, não é uma atitude de prudência."

 

Segundo Fernando Henrique, o problema é que o governo Lula deixou de fazer as reformas necessárias. "Como é sabido, o Brasil no momento da bonança não fez reformas. No momento da escassez tampouco fará. Certas questões continuarão pesando, como o que diz respeito às reforma da previdência, trabalhista, fiscal e tributária. Nada disso caminhou e eu não acho que vai caminhar agora."

 

FMI

 

Fernando Henrique Cardoso fez um relato sobre como funcionam os pedidos de empréstimos dos países ao Fundo Monetário Internacional (FMI). FHC disse que a instituição financeira exige uma série de requisitos que muitas vezes são praticamente impossíveis de se atingir, mas há formas de se contornar esses requisitos.

 

"Aí, a gente liga para o Clinton (Bill Clinton, ex-presidente dos EUA entre 1993 e 2001) ou para o Bush (George Bush, ex-presidente dos EUA entre 2001 e 2009) e eles liberam. Sei como funciona. Eu estive no governo nessa época", disse ele, durante o evento "Conferências do Estoril", em Portugal, sob risos da plateia. Ele não revelou se utilizou desse expediente para obter empréstimos para o Brasil durante seu governo.

 

FHC criticava a concentração do poder de decisão do FMI nas mãos dos Estados Unidos, que com 17% do capital, têm direito a vetar todas as decisões e acaba, por consequência, passando por cima da direção da instituição financeira. Segundo ele, o FMI funcionou dessa maneira nos últimos 16 anos. De 1994 a 2002, período em que FHC governou o País, o Brasil recorreu ao fundo por algumas vezes em meio a crises internacionais, principalmente a partir de 1998.

 

"Não adianta ligar para o Gordon Brown (primeiro-ministro do Reino Unido) ou para outra pessoa, tem que ligar, primeiro, para o secretário do Tesouro norte americano, e se não der, para o Bush ou para o Clinton", afirmou.

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