FHC diz que Brasil e Alemanha têm entendimento perfeito

O presidente Fernando Henrique Cardoso e o chanceler da Alemanha, Gerhard Schröder, assinaram hoje, no Palácio do Planalto, uma declaração conjunta que destaca, entre outras ações, a realização de consultas mais freqüentes entre os respectivos governos nas esferas bilateral e internacional e o apoio recíproco para que ambos passem a ocupar uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, se ele vier a ser reformulado. Segundo o documento, as relações entre os dois países são de "natureza estratégica".Depois de assinar o documento, o presidente Fernando Henrique deu uma entrevista coletiva ao lado do chanceler alemão na qual destacou que os dois países possuem hoje um "entendimento perfeito". "Nossas conversas ocorreram muito mais sobre terceiros países do que sobre os nossos países", disse.Ele destacou a coincidência de visão dos dois países quanto à necessidade de ações para garantir a paz e o combate ao terrorismo que, segundo ele, não deve transformar-se em onipresença que impeça de se ver com maior clareza a diferença que existe entre os países.O chanceler alemão disse que a declaração conjunta torna claras as "excelentes relações" entre os dois países. Schröder disse ainda que, embora o documento enfatize ações no campo da economia, também prevê diversas ações nas áreas científica, cultural e de meio ambiente.Schröder destacou a "opinião uniforme no combate ao terrorismo entre Brasil e Alemanha" e ressaltou a importância de preservação da coalizão internacional criada para combater o terrorismo. Esta união, segundo ele, deve ser mantida "para evitar, dentro do possível, parcialidades".Mercosul e UEDurante o encontro, o presidente Fernando Henrique frisou as negociações entre Mercosul e União Européia e previu avanços concretos na queda de barreiras comerciais entre os dois blocos, na reunião de presidentes marcada para maio, em Madri. O presidente disse que a própria oferta feita pelo Mercosul é tímida e acredita que pode haver "propostas mais audaciosas" até maio, principalmente no setor automotivo.Ele anunciou ainda que, na próxima semana, fará um apelo aos líderes no Congresso para que ratifiquem rapidamente o Tratado de Fomento e Proteção de Investimentos. Esse acordo é exigido pelos alemães para ampliar principalmente investimentos diretos de pequenas e médias empresas no Brasil.Fernando Henrique disse que há, no Congresso, setores temerosos desse acordo, como se o Brasil não precisasse dar e receber garantias. "No mundo de hoje, isso é uma mão dupla", afirmou o presidente, lembrando que o Brasil também tem investimentos no exterior.O chanceler realçou a importância da assinatura de um acordo comercial entre União Européia e Mercosul, observando que, se isto não ocorrer rapidamente, os europeus perderão importantes mercados na América do Sul."O mercado seria aproveitado por outros países, como a América do Norte", afirmou, referindo-se às negociações em torno da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Um acordo com a Europa, segundo Schröder, encaixa-se também no objetivo do Brasil de diversificar suas relações internacionais para "evitar parcialidades e dependências parciais".ArgentinaSobre a Argentina, o chanceler da Alemanha assegurou o apoio político da Alemanha ao país, mas não mediante financiamentos diretos. Schröder disse que está assegurado que a Argentina receberá apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para que esta ajuda se concretize, no entanto, segundo ele, é necessário que haja um plano de reforma "bem calculado e viável" e que as medidas sejam concretizadas.

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