FHC diz que não fixará prazo para acordo com Fundo

O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje que o governo não fixará prazo para a conclusão das negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo ele - que esteve reunido durante uma hora e quarenta minutos com o ministro da Fazenda, Pedro Malan - estabelecer prazos pode aumentar ainda mais a especulação no mercado. "Não adianta ficar colocando datas que vão servir para o mercado especular. Não saiu essa semana então é porque não vai sair... Aí sobe de novo o dólar. Não é assim! Vamos pensar em termos de Brasil, no povo. O povo é quem sofre com estas especulações, inclusive esta de dar data", afirmou em entrevista coletiva, no Palácio da Alvorada, ao lado do presidenciável tucano, José Serra, e sua vice, Rita Camata. Desmentindo informações divulgadas na imprensa, de que a equipe econômica estaria trabalhando para o anúncio do acordo esta semana, Fernando Henrique foi taxativo: "Vocês acham que um acordo dessa importância sai em uma semana? Quando saiu? Em que país saiu em uma semana?". O presidente garantiu que se for preciso fechar um novo acordo com o FMI para acalmar os mercados, o Brasil o fará. "Os mercados estão aí com exigências totalmente descabidas mas nós precisamos cuidar para que a taxa de juros não dispare, para que a população possa ter um horizonte de tranqüilidade. E se a condição para isso - como parece ser - for o apoio do FMI, não nos faltará", disse.Ele informou ainda que uma série de fatores estão sendo considerados para definir o acordo com o Fundo e tentou desvincular o calendário eleitoral das negociações. " O processo político não é uma coisa de calendário marcado. A eleição sim! Mas a resolução destas questões depende de acertos, de negociações, o que interessa mais para o Brasil, em que condições, qual a reação da sociedade e dos candidatos. E tudo isso, nós estamos vendo", afirmou. Fernando Henrique lembrou que durante a sua campanha para a reeleição, em setembro de 1998, teve que recorrer ao FMI para acalmar as turbulências na economia, o que ajudou o Brasil a superar a crise. "Então agora é a mesma coisa", disse. O presidente lembrou também que toda a economia mundial está fragilizada e não apenas a brasileira. "O FMI tem reiterado que a economia do Brasil vai bem. Os presidentes dos Bancos Centrais do G7 (grupo formado pelos sete países mais desenvolvidos do mundo) têm reiterado isso", afirmou. Perguntado sobre a necessidade dos candidatos à presidência da República serem mais claros em relação à política econômica que será adotada, caso vençam as eleições, Fernando Henrique evitou fazer críticas. "Eu vou assumir a minha responsabilidade, depois cada um assuma a sua", disse.

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