FHC elogia trabalho do IBGE, mas estranha dados sobre renda

O presidente Fernando Henrique Cardoso constatou hoje, na solenidade em que foram divulgados os indicadores sociais relativos ao Censo 2000, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que os dados sobre a evolução positiva do número de bens duráveis disponíveis nas residências brasileiras entre 1991 e 2000 não batem com os dados sobre a evolução da renda no mesmo período. Segundo o presidente, "há algo ilógico" nesses dados, porque fica difícil explicar como a renda não acompanhou o ritmo de crescimento do consumo. "Ou não se consumiu tanto ou não se ganhou tão pouco", disse. Não pode ter havido estagnação da renda, segundo ele, porque os mesmos dados mostram que 23% a 24% das pessoas ganham um salário mínimo e apenas 2% a 4% ganham mais do que 20 salários mínimos. Para sustentar o que afirmava, o presidente citou o fato de que, no período de 91 para 2000, o número de casas que dispõem de rádio aumentou 36%; o das que têm TV, 40,7%; geladeira e freezer, 32,1%; máquina de lavar roupa, 62% e carros particulares, 82,1%. Saneamento, medicina...O presidente Fernando Henrique Cardoso citou ainda, na cerimônia de divulgação dos indicadores sociais do Censo 2000, dados levantados pelo IBGE mostrando que, em 1991, somente metade das casas de todo o País tinham saneamento, e hoje 80% dos domicílios são atendidos por serviços básicos. Ele mencionou também que, de 1,8 milhão de mulheres que eram atendidas por programas de medicina preventiva em 1991, esse número cresceu para 10 milhões em 2000. "Eu escrevi e cumpri. Queria dar ênfase à medicina preventiva, e demos. Esses dados comprovam isso", afirmou. Segundo o presidente, hoje 10,6% das residências brasileiras dispõem de microcomputador e o número de residências com iluminação elétrica cresceu de 30 milhões em 91 para 41,4 milhões em 2000, uma melhoria de 37,8%. "Pensam que é um projeto local colocar luz nas casas, mas é um projeto federal", esclareceu. Disse também que o número de casas com telefone cresceu de 6,4 milhões em 95 para 17,74 milhões em 2000, com crescimento de 174%. "Não é para ter triunfalismo nem pessimismo. Isso é realismo. Apesar das dificuldades, avançou-se muito. Falta muita coisa? Falta. Mas estamos fazendo muito. Não há milagre, há trabalho, mas já dá para ver o céu azul", afirmou. "A década de 90 não foi perdida. Ela acelerou o processo de melhoria do atendimento social". O presidente disse que os dados sobre os indicadores sociais "são resultado das políticas públicas empreendidas pelo governo nos últimos anos".Na cerimônia, ele apresentou slides com os dados, na presença, entre outros, dos ministros-chefes da Secretaria Geral da Presidência da República, Euclides Scalco, e da Casa Civil, Pedro Parente; do ministro do Planejamento, Guilherme Dias, e do secretário de Comunicação de governo, José Roberto Vieira. O presidente lembrou que o censo "custou muito dinheiro, muito esforço e foi muito complexo", mas observou que ele é fundamental para que se possam prever políticas públicas corretas. Ressaltou, ainda, que o IBGE "é completamente independente para fazer seu trabalho" e que seus dados "são confiáveis e de alta credibilidade."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.