FHC participa de Cúpula de presidentes do Mercosul

O presidente Fernando Henrique Cardoso participa hoje da Cúpula Extraordinária dos presidentes dos países do Mercosul mais os associados Chile e Bolívia. O encontro será na residência oficial de Olivos, lugar escolhido por Fernando Henrique Cardoso para hospedar-se, pela primeira vez, fora da Embaixada brasileira. Ao lado dos presidentes Fernando Henrique, Eduardo Duhalde (Argentina), Jorge Batlle (Uruguai), Luis González Macchi (Paraguai), Ricardo Lagos (Chile) e Jorge Quiroga (Bolívia), os presidentes retomarão as conversas interrompidas em dezembro do ano passado, quando estavam reunidos em Montevidéu, por causa da renúncia de Fernando de la Rúa. Sem nenhuma confirmação oficial, desde ontem começou a circular um boato de que o presidente Fernando Henrique Cardoso estaria articulando uma ajuda financeira dos países latinos com alguns europeus como a França e Itália para a Argentina. O pacote emergencial teria sido discutido durante à noite com Eduardo Duhalde e seria mais detalhado durante encontro que o ministro de Fazenda, Pedro Malan, terá hoje com o ministro de Economia, Jorge Remes Lenicov. Esta notícia foi manchete do jornal argentino Clarin em sua edição de hoje. O pacote de ajuda orquestrado por Fernando Henrique Cardoso exigiria , previamente, o encaminhamento do acordo entre a Argentina e o Fundo Monetário Internacional, o qual deveria ser traduzido num sinal concreto através da liberação da última parcela de US$1,250 bilhão, prevista para ter sido desembolsada em dezembro passado, como parte do socorro concedido no final de 2000. Assuntos bilateraisAlém do pacote liderado pelo Brasil que ninguém ainda confirmou, o presidente Fernando Henrique Cardoso quer demonstrar que o Mercosul apóia o governo de Eduardo Duhalde, conforme afirmou o embaixador brasileiro José Botafogo Gonçalves. Acompanhado ainda pelos ministros de Relações Exteriores, Celso Lafer, e de Desenvolvimento, Sérgio Amaral, Fernando Henrique discutirá com os colegas duas propostas: uma que trata do Convênio de Crédito Recíproco, um sistema de pagamento de importações e exportações através do Banco Central de cada país, o qual permitiria à Argentina retomar as importações dos países sócios; outra que cria o Instituto Monetário do Mercosul, responsável pela convergência de políticas monetária e cambial do bloco econômico.Governo dá ultimato a governadoresO governo dará um ultimato aos governadores que se reunirão amanhã com presidente Eduardo Duhalde, na residência oficial de Olivos. O presidente dirá que o déficit das províncias deverá baixar de $5 bilhões de pesos para $1,5 bilhão, caso contrário não haverá acordo com o Fundo Monetário Internacional e nenhuma ajuda externa, nem de países, nem de outros organismos multilaterais de crédito. O presidente também comunicará que as dívidas em dólares que as províncias mantém com os bancos locais, renegociadas no final do ano passado, serão pesificadas a $1,40 peso por cada US$ 1 dólar. Os governadores esperavam que esta conversão fosse na base de um por um. O ministro de Economia, Jorge Remes Lenicov, transmitirá aos governadores a mensagem que ouviu do FMI, durante sua viagem a Washington, na semana passada, de que a situação fiscal das províncias é o principal obstáculo para o encaminhamento de qualquer acordo. A ofensiva da União detonará uma nova briga com os governadores das províncias que protagonizaram verdadeiras batalhas com os ministros de Economia do governo anterior, pelo mesmo motivo. Duhalde, que foi escolhido para a Presidência com o apoio dos governadores, correrá o risco de abrir uma grande frente de batalha que poderá provocar perdas. Piqueteiros voltam às ruasA partir de hoje, a Argentina sofrerá uma mobilização nacional de piqueteiros que bloquearão ruas, avenidas, estradas, rodovias e pontes em todo o país. O bloqueio não tem prazo para terminar e está sendo encabeçado pelo Bloco Nacional Piqueteiro, entidade composta por desempregados. O protesto terá um ponto culminante na próxima quarta-feira, quando todos os grupos de piqueteiros-desempregados e outras entidades se reunirão em frente ao Congresso Nacional para protestar contra o Orçamento deste ano. Neste dia haverá também panelaço de moradores dos bairros portenhos, que se unirão aos piqueteiros para uma passeata até a praça de Maio.Leia o especial

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