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FHC reclamou com Bush; aí O´Neill tentou consertar declarações

O presidente Fernando Henrique Cardoso telefonou sexta-feira para presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para reclamar das declarações que o secretário do Tesouro, Paul O?Neill havia feito horas antes, aumentando a falta de confiança do mercado de capitais nas condições estruturais da economia brasileira. Bush não atendeu Fernando Henrique na primeira tentativa, mas a iniciativa do presidente brasileiro, articulada numa reação sem precedentes do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, produziu efeitos rápidos. Malan falou com o próprio O´Neill e Armínio com o subsecretário do Tesouro, John Taylor. O Neill voltou atrás através de uma nota divulgada na noite de sexta-feira em Washington e transmitida às redações dos jornais no Brasil pela embaixada americana. O´Neill ajudou a agravar a crise de confiança no Brasil ao afirmar que se oporia à concessão de mais créditos do FMI ao País, fazendo com que as autoridades brasileiras lembrassem o governo Bush que não estão pleiteando tais créditos e que têm um acordo com o Fundo que só termina em 13 de dezembro.Em sua manifestação espontânea, o secretário do Tesouro disse que a causa dos problemas do País não era econômica, mas política e que "jogar dinheiro do contribuinte americano na incerteza do Brasil" não lhe parecia uma idéia brilhante. A articulação de Fernando Henrique, Malan e Armínio mostrou que as declarações haviam provocado reações ainda mais pessimistas no mercado e prejudicaram os esforços do governo para acalmar os investidores.A nota de O´Neill, depois da interferência da embaixada americana em Brasília, do Departamento de Estado, do Escritório do Representante Comercial e da equipe de Segurança da Casa Branca - e provavelmente do próprio Bush - teve o objetivo de "esclarecer" seus comentários. Diz o texto de sete linhas: "O governo brasileiro está implementando as políticas econômicas corretas para tratar das dificuldades atuais. Por causa dessas políticas, apoiamos consistentemente o Brasil, até por meio de seu atual programa com o FMI, lançado no verão passado, e do desembolso de R$ 10 bilhões, esta semana sob esse programa. O Brasil não pediu nenhum novo empréstimo e seus fundamentos econômicos são fortes. O Brasil é um crucial parceiro regional e global dos Estados Unidos".

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