FI-FGTS deve liberar R$ 1 bi para Rumo ALL

Murilo Rodrigues Alves

O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2015 | 02h07

/BRASÍLIA

Mônica Scaramuzzo /SÃO PAULO

A Rumo ALL, controlada pela Cosan Logística, recebeu ontem o primeiro sinal verde para conseguir aporte de R$ 1 bilhão do fundo de investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Os membros do comitê de investimento do FI-FGTS deram o aval para que a Caixa Econômica Federal, responsável pela gestão do fundo, estruture a operação de financiamento, por meio da emissão de debêntures (dívida de longo prazo) que podem ser convertidas em ações.

O aporte do FI-FGTS deverá ajudar a Rumo ALL a resolver seu problema de curto prazo, segundo apurou o Estado. Além desse recurso da Caixa, que poderá ser liberado até o fim do ano, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto, a companhia pretende levantar mais dinheiro no mercado. Essa nova captação também deverá ser feita por meio de emissão de debêntures. O valor a ser captado ainda não foi definido, mas é estimado em até R$ 1 bilhão.

Os recursos do FI-FGTS serão destinados para o plano de recuperação da malha ferroviária, além de renovação e aquisição de locomotivas e vagões.

Na primeira fase, os investimentos chegarão a R$ 2,8 bilhões. Em uma segunda etapa, ainda sem data de implementação, os investimentos estão estimados em R$ 8,6 bilhões para a construção e expansão de pátios, duplicação de trechos, aquisição de outras locomotivas e vagões, ampliação dos acessos aos terminais portuários de Santos (SP), Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Rio Grande (RS). A Rumo ALL negocia com o governo estender as concessões da ferrovia.

O plano de expansão da Rumo ALL também será, em parte, financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco de fomento tem uma linha de crédito já aprovada de R$ 1,7 bilhão para o projeto da empresa, mas esses desembolsos tem sido liberados aos poucos, à medida que o projeto de expansão é colocado em prática.

Compromisso. Com a aprovação da fusão entre Rumo, do grupo Cosan, e América Latina Logística (ALL), no primeiro semestre deste ano, os novos controladores se comprometeram a fazer pesados investimentos para expandir a capacidade da ferrovia. Mas, o atual cenário macroeconômico, com crédito mais restrito, não tem permitido ao grupo levantar os recursos na velocidade imaginada.

Alavancada, a Rumo ALL tem uma dívida líquida de R$ 7,1 bilhões, de acordo com os resultados da companhia divulgados no segundo trimestre. Com isso, a alavancagem medida pela dívida líquida e Ebtida (lucro antes de juros, impostos e amortizações) está em 4,97 vezes, patamar considerado desconfortável pelo mercado.

A Cosan detém 27,5% do capital da Rumo ALL. O grupo se tornou a maior operadora de ferrovias do País. A ferrovia conta com 12,9 mil quilômetros de malha sob o regime de concessão, 19 milhões de toneladas de capacidade de elevação no porto de Santos, 966 locomotivas, 28 mil vagões e 11,7 mil empregados diretos e indiretos. Procurada, a Rumo ALL não comentou.

Renovável. O comitê do FI-FGTS ainda deu aval para que a Caixa estruture o financiamento de R$ 180 milhões a Ventos de São Clemente Energias Renováveis. A empresa deve usar os recursos para implementar até oito parques eólicos em Pernambuco.R$ 7,1 bi

é a dívida líquida da companhia no segundo trimestre

R$ 1 bi

é o aporte previsto pelo FI-FGTS para expansão da companhia; Rumo ALL pretende levantar mais recursos no mercado

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